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Artigos | Cícero Henrique

Deputado quer jogar gasolina na fogueira com proposta que autoriza porte de arma a todos os parlamentares

Proposta foi apresentada um dia depois do tapa na cara no plenário da Câmara dos Deputados

23/12/2023 - 09:26 | Atualizado em 23/12/2023 - 09:46

Foto: Arquivo pessoal

Sem propostas que beneficiem o povo, deputado da bancada mato-grossense quer aparecer em cima do 'sinaleiro' propondo porte de arma a todos os membros do Congresso Nacional, Assembleias Legislativas e da Câmara Legislativa do Distrito Federal.

Na contramão da pacificação, o porte de arma, se aprovado, vai piorar anda mais o embate político.

Proposto pelo deputado federal José Medeiros (PL-MT), a iniciativa tem por objetivo, segundo a justificativa do texto, proteger os parlamentares, pois eles “podem se tornar alvos favoritos de desequilibrados em busca de notoriedade.”

Em sua argumentação, o autor ainda afirma que os debates políticos “não poucas vezes, extrapolam os muros.” E neste caso, segundo ele, podem ocorrer “comportamentos radicais com ameaças de agressões físicas e, até mesmo, de atentados contra a vida.” chrome-

Talvez o deputado desconheça que o problema é justamente a polarização que eles [parlamentares] incentivaram, diante da ignorância deliberada do significado da democracia.

O deputado deveria se preocupar com as questões sociais, como geração de emprego, educação, saúde, habitação. Como parlamentar, desconhece o papel de um congressista, convencer no debate através da persuação, de argumentos, idéias que vão ao encontro dos anseios da população e não de uma minoria.

Por que não apresentar propostas de paz entre governistas e oposição?

Com esta proposta de ementa o deputado quer jogar mais gasolina na fogueira, não vai resolver nada, só vai avivar a fogueira da polarização. Até o argumento do referido deputado para esse tipo de projeto é fraco e vazio.

Será que o deputado está pensando que o Congresso é "pequena cidade de faroeste", onde os pistoleiros armados fazem o que querem no vilarejo? Embora a ementa não cite o porte de arma no Plenário, isso poderá voltar a acontecer. Em dezembro de 1963, o ex-senador Arnon de Melo, pai do ex-senador Fernando Collor, estava na tribuna quando sacou a arma e disparou três vezes contra seu inimigo político Silvestre Péricles. Errou, acertou o senador José Kairala, do PTB do Acre, recém-empossado. Silvestre foi contido pelo senador João Agripino, que impediu que ele revidasse os tiros.

Políticos não podem ter inimigos, mas adversários. Na política, quem faz inimigos não prospera.

A apresentação da proposta de porte de porte de arma 'automático' ocorreu um dia depois do deplorável tapa na cara desferido pelo deputado federal Washington Quaquá (PT-RJ) contra o também deputado federal Messias Donato (Republicanos-ES) durante a solenidade de promulgação da reforma tributária.

O deputado Medeiros não está pensando em segurança, mas sim em agradar seus eleitores, amantes das armas, movidos pela crença de que diferenças se resolvem pela força.

Para alguém que se declara evangélico, a proposta é incoerente, já que Jesus pregou a paz e o amor ao próximo.  

Cícero Henrique

Cícero Henrique


Jornalista em Cuiabá
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