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Deputado sanitarista alerta: quase 40% das vacinas contra covid-19 recebidas em MT podem não ter sido aplicadas

Médico recomenda usar rede de vacinas do SUS

26/03/2021 - 19:47 | Atualizada em 29/03/2021 - 17:13

Deputado sanitarista alerta: quase 40% das vacinas contra covid-19 recebidas em MT podem não ter sido aplicadas

Foto: Reprodução

Estudo realizado pelo deputado estadual e médico sanitarista Lúdio Cabral (PT) com base nas resoluções da Comissão Intergestores Bipartite (CIB), comparadas com o painel de vacinação do Ministério da Saúde, mostra que quase 40% das doses já recebidas e distribuídas aos municípios de Mato Grosso podem não ter sido aplicadas ainda. Das 393.060 doses de vacinas recebidas no estado, 205.464 doses foram aplicadas, 55.575 estão reservadas para a 2ª dose e 132.021 não foram aplicadas até o dia 25 de março, o que representa 39,1% das doses recebidas ainda sem aplicação.

“A vacinação está lenta e atrasada. Quase 40% das doses disponíveis em Mato Grosso, e que já poderiam ter sido aplicadas, não foram ainda. A logística tem que ter sintonia fina. Se temos escassez de vacina, precisamos aproveitar ao máximo a quantidade de doses presentes em cada frasco. É preciso organização e eficiência na vacinação. Além da quantidade escassa adquirida e enviada pelo governo federal, há demora entre a chegada da vacina a Mato Grosso e a distribuição aos municípios, e mais demora depois que a vacina chega aos municípios, dependendo da forma como o município organiza a aplicação da vacinas”, analisou Lúdio. 

Para aumentar a eficiência na vacinação, Lúdio recomenda que as prefeituras utilizem a rede de salas de vacinas e a experiência acumulada pelos trabalhadores do Sistema Único de Saúde (SUS), que é referência mundial na imunização de populações. “Não adianta inventar a roda. Precisamos descentralizar a vacinação, utilizar as unidades básicas de saúde, as salas de vacina que o SUS já tem. Quanto mais descentralizar, melhor. Até porque o público-alvo vai aumentar nas próximas fases”, afirmou. 

No estudo, Lúdio citou que das 191.123 doses da Coronavac/Butantan recebidas para aplicação da 1ª dose, 85.754 não tinham sido utilizadas até 25 de março, o que representa 44,9%. “No caso da 2ª dose, o problema é mais sério, pois considerando um total de 88.258 doses, 28.347 doses não foram aplicadas ainda. Ora, são até 28.347 pessoas que já poderiam estar com a imunização completa em Mato Grosso e não estão”, destacou. 

Das 52.315 doses da AstraZeneca/Fiocruz distribuídas aos municípios mato-grossenses, todas destinadas à aplicação da 1ª dose, 12.492 não foram aplicadas até 25 de março, o que representa 23,9% de doses ainda não aplicadas. “Um dado curioso observado no painel de vacinação é que 361 doses da vacina AstraZeneca já teriam sido aplicadas como 2ª dose, o que contraria o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19”, disse. 

Lúdio observou ainda que as prefeituras podem estar alimentando os dados da vacinação com atraso ou a sistemática de alimentação dos dados no sistema de informações em que se baseia o painel do Ministério da Saúde pode não refletir a realidade da vacinação em cada município. “Pode haver atraso nessa alimentação e é uma das hipóteses para essa diferença. É preciso analisar esses números de forma detalhada, por município, por público-alvo, por laboratório fabricante, por logística de distribuição e aplicação, e quais as explicações para esse desempenho. Se temos poucas vacinas à nossa disposição, precisamos do máximo de rapidez e de eficiência na aplicação, para alcançarmos a melhor cobertura vacinal possível”, disse. 

Veja aqui o estudo 

Ele citou, ainda, que estão incluídos nos dados as doses de vacinas destinadas aos povos indígenas que vivem em terras indígenas de Mato Grosso, cuja aplicação é responsabilidade das equipes dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI), vinculadas à Secretaria Especial de Saúde Indígena do Ministério da Saúde (SESAI). As vacinas destinadas aos povos indígenas são remetidas pelo Ministério da Saúde à Secretaria Estadual de Saúde, que distribui para os escritórios regionais ou municípios de referência para as terras indígenas, e estes abastecem as equipes de saúde dos DSEIs, que realizam a vacinação nas aldeias.
 

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