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Para Lúdio Cabral, suspensão do decreto 522 mantém a população exposta ao vírus

Estrategicamente, governo mantém suspenso decreto que obrigaria 16 cidades a decretar quarentena

16/03/2021 - 18:57 | Atualizada em 18/03/2021 - 17:11

Jô Navarro

Para Lúdio Cabral, suspensão do decreto 522 mantém a população exposta ao vírus

Deputado estadual e médico sanitarista Lúdio Cabral (PT-MT)

Foto: Helder Faria/ALMT

O Decreto 836 editado no dia 1º de março de 2021 foi prorrogado hoje pelo governador Mauro Mendes. Ele mantém suspenso o Decreto 522, de junho de 2020, que estabeleceu as medidas restritivas a serem adotadas pelos municípios de acordo com a classificação de risco, e institui o toque de recolher.  

Para o médico sanitarista e deputado estadual Lúdio Cabral os novos decretos do governador são conflitantes e contraditórios entre si. As medidas do decreto 836 na verdade afrouxaram as restrições ao setor econômico.

No dia 1º/03 a SES-MT já tinha o prognóstico de aumento de novos casos, óbitos e colapso da rede hospitalar pública e privada. Ao incluir o Art. 8º "Durante a vigência do presente Decreto, ficam suspensos os efeitos do Decreto nº 522, de 12 de junho de 2020", o governo estrategicamente manobrou para evitar que hoje 16 municípios (veja a lista ao final) fossem obrigados a decretar quarentena, medida prevista para os classificados com ALTO RISCO. 

De um lado, o governador atende o apelo de deputados e empresários contrários à quarentena. De outro, coloca em risco as unidades de saúde, os profissionais que atuam na linha de frente, além de parcela da população mato-grossense obrigada a sair de casa diariamente para trabalhar, sendo obrigada a usar o transporte coletivo, expondo-se às novas cepas do vírus. 

"Em vez de cumprir a quarentena prevista no decreto 522, o governador reedita o decreto de toque de recolher. Essa medida é insuficiente, pois o coronavírus circula 24 horas por dia, e os trabalhadores seguem expostos ao risco de contraírem a covid-19. Não tem sentido todas as atividades econômicas estarem funcionando normalmente e a população continuar exposta como está no transporte coletivo. O governador precisa ter coragem de decretar quarentena. Desde 21 de janeiro estou recomendado ao governador que tome essa medida. E, ao lado da quarentena, o governo precisa dar suporte financeiro, econômico, material e alimentar para a população", defende Lúdio Cabral.



Médico sanitarista com formação em epidemiologia, Lúdio Cabral alerta que a circulação livre do vírus tornou o Brasil uma ameaça global. "O Brasil é um imenso laboratório para o vírus, que se multiplica e evolui. Vai chegar num ponto em que ele se tornará resistente às vacinas e teremos que começar tudo de novo", disse.

Daí a importância de adotar medidas restritivas de circulação de pessoas. É a única forma para impedir a continuidade da contaminação desenfreada em Mato Grosso e no Brasil.

Em breve o Estado e municípios terão esgotado a capacidade de criar novos leitos de UTI e enfermaria. Os hospitais privados já estão um a um suspendendo o Pronto Atendimento e adaptando leitos para suporte ventilatório. As cirurgias e procedimentos eletivos estão suspensos. O paciente que enfartar, sofrer um AVC ou acidente de trânsito não conseguirá um leito e a consequência poderá ser, em muitos casos, a morte.

Hoje (16) A SES-MT informa  mais 2.275 novas confirmações de casos de coronavírus no Estado e 62 óbitos nas últimas 24 horas. 

Municípios na classificação vermelha / alto risco:

Alta Floresta,
Barra do Garças,
Cáceres, Campo Verde,
Cláudia, Cuiabá,
Guarantã do Norte,
Lucas do Rio Verde,
Peixoto de Azevedo,
Poconé,
Pontes e Lacerda,
Primavera do Leste,
Rondonópolis,
Sinop,
Sorriso e
Várzea Grande.
 

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