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Mato Grosso

Sexta-Feira, 25 de Agosto de 2017, 20h:47

O DIA SEGUINTE

Não ficará pedra sobre pedra

Jô Navarro

Caldeirão Político

Não sobrará pedra sobre pedra após a delação de Silval Barbosa, ex- governador de Mato Grosso.

No termo de colaboração premiada que veio hoje a público constam pagamento de propina para deputados estaduais, federais, senadores, conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE), 'retorno' em dinheiro de empresas que prestaram serviços de lacre ao Detran, propinas do programa MT Integrado, suborno para Eder Moraes mudar depoimento sobre Blairo Maggi, empréstimo legal para a campanha de Carlos Bezerra (deputado federal), vantagens indevidas para diversas empresas (Sal locadora, Consignum, Webtec).

Há ainda detalhamento de irregularidades nas obras da Arena Pantanal. As empresas contratadas pagavam 'retorno/propina' para deputados, para Silval Barbosa e secretários das pastas relacionadas à obra.

No TCE o esquema era gigantesco. Foram nomeados 4 conselheiros que recebiam valores para "não criar problemas". Foram gastos R$ 120 milhões em propinas para os quatro conselheiros do TCE, além de José Carlos Novelli, ex-presidente.

Silval Barbosa citou ainda que bancos foram contratados durante o governo de Blairo Maggi, sem licitação, sem as devidas formalizações contratuais. Bancos também se prestaram a fazer cadastros simulados de credores para liberar os valores em favor das empresas.Também foram realizadas simulações de venda de crédito tributário para cobrir ilegalmente despesas herdadas do governo de Blairo Maggi. Os valores envolvidos chegam a R$ 60 milhões.

O anexo III trata da arrecadação de recursos ilegais para pagamento de dívidas contraidas mediante fraude na expediçãode precatórios. O valor envolvido é de R$ 92 milhões e menciona participação de prefeito no exercício de mandato, empresas de construção civil e ministro de Estado em exercício.

Foram citadas ainda fraudes envolvendo Transportadoras (anexo IV), mensalinho para deputados estaduais durante vários anos, chantagem de deputados para aprovar contas,envolvendo pagamentos entre R$ 250 mil a R$ 650 mil por deputado.

O anexo V trata de fraudes na Andrade Gutierrez no valor aproximado de R$ 300 milhões. SERÁ FORNECIDO TODO O CAMINHO DO DINHEIRO POR MEIO DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS; INDICAÇÃO DETALHADA DA RELAÇÃO DA FACTORING BENEFICIADA E PESSOAS ENVOLVIDAS, DETRE ELAS DETENTORAS DE PRERROGATIVA DE FORO NO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.

O anexo VI trata da compra ilegal de terras, no valor de R$ 18 milhões, em nomes de 'laranjas'.

O anexo VII trata da compra de vaga de conselheiro no TCE no valor de R$ 12 milhões.

No anexo XI é relatada a desapropriações estatais ilícitas para pagamento ilegal em favor de autoridades com prerrogativa de foro que extorquiam o Governo.Valor envolvido: R$ 70 milhões. Silval se comprometeu a revelar a forma como foram efetuados os pagamentos para as autoridades implicadas.

O anexo XII promete derrubar parlamentares em exercício de mandatos. Trata do desvio de mais de R$ 40 milhões por meio de fraudes em precatórios.

Os mato-grossenses de bem estão incrédulos e estupefatos diante da ramificação da corrupção. Na próxima semana novas operações policiais revelarão, sem dúvida, escândalos ainda mais assombrosos. 

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