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FI-FGTS
Propina nos ares
09/06/17 - 12:10
Por: O Estado de S. Paulo

Investigado por suspeita de ter subornado políticos do PMDB, Henrique Constantino, acionista da Gol Linhas Aéreas, negocia há meses um acordo de delação premiada que ainda não foi aceito pelo Ministério Público Federal.
Ele afirmou a procuradores que a campanha de Gabriel Chalita à Prefeitura de São Paulo em 2012 teria sido irrigada com dinheiro de propina. Segundo Constantino, o candidato recebeu parte de um total de R$ 10 milhões que foi dividido entre políticos do PMDB. Em troca, pediu aporte do Fundo de Investimentos do FGTS para uma de suas empresas. Após os pagamentos aos peemedebistas, a empresa Via Rondon, concessionária de rodovias que pertence à família Constantino, recebeu um empréstimo de R$ 300 milhões do FI-FGTS.

 

Segundo a investigação, Constantino fez contatos com o ex-deputado Eduardo Cunha e o doleiro Lúcio Bolonha Funaro, para a liberação do aporte do fundo.
O suposto pagamento de suborno por parte de Constantino já foi alvo da delação do ex-vice-presidente de Fundos de Governo e Loterias da Caixa Fabio Cleto, indicado ao cargo pelo grupo de Cunha, que admitiu ter recebido propina para ajudar o empresário a conseguir dinheiro do fundo.
Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, o ex-ministro Henrique Eduardo Alves, preso nessa terça, também foi citado na proposta de delação de Constantino. O empresário teria relatado que Alves participou com Cunha e Funaro de uma conversa onde teriam acertado a propina relacionada à liberação do dinheiro do FI-FGTS.
Na sexta-feira da semana passada, Cunha protocolou na 10ª Vara Federal de Brasília 22 perguntas ao presidente Michel Temer no âmbito do processo em que é acusado de cobrar propina de empresários em troca de liberação de dinheiro do FI-FGTS.
Entre elas, “Vossa Excelência conhece Henrique Constantino? Esteve alguma vez com ele? Qual foi o tema? Tinha a ver com algum assunto ligado ao financiamento do FI-FGTS?”.
Em seguida, Cunha diz que “a denúncia (da Operação Cui Bono?) trata da suspeita do recebimento de vantagens indevidas” e lista várias empresas, entre elas a BR Vias, braço rodoviário das empresas da família Constantino que controla a Via Rondon.
Cunha pergunta então se Temer “tem conhecimento, como presidente do PMDB até 2016, se essas empresas fizeram doações a campanhas do PMDB? Se sim, de que forma?”. Pergunta em seguida se “alguma delas fez doação para a campanha de Gabriel Chalita em 2012?”. E arremata: “se positiva a resposta, houve a sua participação? Estava vinculada à liberação desses recursos da Caixa no FI-FGTS?”

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