
02/08/2026 - 07:27
A tentativa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de atrair a senadora Tereza Cristina (PP-MS) para a vice-presidência terminou cercada por críticas, desconforto interno e avaliações de que a articulação chegou tarde demais. Embora o nome da ex-ministra da Agricultura fosse defendido há meses pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, interlocutores apontam que o próprio candidato demorou a abrir diálogo direto com a senadora, comprometendo uma negociação considerada estratégica para ampliar sua base política.
Nos bastidores, aliados do PL e do PP avaliam que a condução da campanha expôs problemas de articulação e coordenação política. A primeira conversa direta entre Flávio e Tereza Cristina ocorreu apenas na reta final do prazo eleitoral, quando a senadora foi chamada para uma reunião em Brasília. Apesar de sinalizar disposição para discutir a composição da chapa, a possibilidade dependia do aval da federação formada por PP e União Brasil, que acabou reafirmando publicamente sua neutralidade na disputa presidencial. Para lideranças envolvidas nas negociações, a demora reduziu drasticamente as chances de sucesso da iniciativa.
O episódio ampliou o clima de preocupação dentro da campanha. Além da frustração com a perda de uma aliada considerada importante, integrantes da cúpula partidária passaram a questionar a estratégia adotada pelo comando eleitoral. A recente troca de marqueteiros, críticas ao formato da convenção nacional e relatos de desorganização em eventos reforçaram a percepção de turbulência. Com o prazo eleitoral se aproximando do fim, a campanha enfrenta pressão para reorganizar sua estrutura e evitar que novos desgastes comprometam sua capacidade de reação no cenário político.