
07/07/2026 - 16:55 | Atualizada: 08/07/2026 - 10:50
O discurso do ex-governador de Mato Grosso e pré-candidato ao Senado, Mauro Mendes (União), em defesa do endurecimento das penas para homicidas reacendeu o debate político e também levantou questionamentos sobre a coerência entre suas declarações públicas e fatos relacionados ao período em que comandou o Estado. Em publicação nas redes sociais, Mendes afirmou que "ninguém aguenta mais ver bandido matando num dia e sendo solto no outro", defendeu a instituição da prisão perpétua para autores de crimes contra a vida e chegou a propor a convocação de uma nova Assembleia Constituinte para ampliar o rigor da legislação penal.
A manifestação, entretanto, ocorre enquanto um dos policiais que integrou sua equipe de segurança durante seu governo permanece atuando na segurança da ex-primeira-dama Virginia Mendes, apesar de responder a uma ação penal decorrente da Operação Simulacrum. A circunstância alimenta críticas de adversários políticos e amplia o debate sobre a compatibilidade entre o discurso de tolerância zero contra homicídios e a permanência de um agente investigado por graves acusações em função de confiança.
O major da Polícia Militar Ronaldo Reiners é réu, ao lado de outros 15 militares, em processo que apura a suposta participação de policiais em um grupo investigado por simular confrontos para executar civis entre 2017 e 2020, em Cuiabá e Várzea Grande. Conforme denúncia apresentada pelo Ministério Público Estadual (MPE), os fatos investigados teriam resultado em 23 homicídios. O processo segue em tramitação, cabendo ao Poder Judiciário analisar as provas e decidir sobre a responsabilidade criminal dos acusados, que têm direito à ampla defesa e ao contraditório.
Diante desse cenário, críticos sustentam que o endurecimento das leis penais defendido por Mauro Mendes perde força quando confrontado com episódios envolvendo integrantes de seu antigo círculo de segurança. Para opositores, antes de propor mudanças profundas na Constituição e defender penas mais severas, o ex-governador precisaria responder aos questionamentos políticos sobre a permanência de um policial réu em um dos casos mais graves já investigados envolvendo agentes da segurança pública de Mato Grosso. Já aliados argumentam que a responsabilização individual deve ocorrer exclusivamente no âmbito da Justiça e que eventuais acusações não podem ser automaticamente atribuídas ao ex-governador.