
03/05/2026 - 10:34 | Atualizada: 04/05/2026 - 15:05
A crise do transporte coletivo na região metropolitana de Cuiabá e Várzea Grande volta ao centro do debate público com denúncias contundentes feitas pelo presidente da Associação dos Usuários de Transporte Coletivo de Mato Grosso (ASUT-MT), Pedro Aquino. Em um retrato duro da realidade enfrentada diariamente por milhares de passageiros, ele aponta um sistema pressionado por atrasos frequentes, superlotação nos horários de pico e uma frota que, mesmo somando cerca de 500 ônibus nas duas cidades (Cuiabá e Várzea Grande) e mais de 1.100 trabalhadores, não consegue dar conta da demanda.
Ao Caldeirão Político, Pedro Aquino afirmou que o problema é estrutural e antigo agravado por obras urbanas que, em vez de melhorar a mobilidade, têm ampliado gargalos e o tempo de deslocamento. A promessa de reforço na frota, com a chegada de 41 novos ônibus, até agora não saiu do papel, alimentando a insatisfação popular e impulsionando o crescimento do transporte alternativo como válvula de escape diante da ineficiência do sistema.
As críticas também atingem diretamente o poder público. Enquanto a prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti, é descrita como aberta ao diálogo com a entidade, o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, é cobrado por ainda não ter recebido representantes da associação. “Falta interlocução com a sociedade civil organizada”, resume Aquino, ao apontar um distanciamento que, segundo ele, compromete a construção de soluções efetivas.
No cotidiano dos usuários, o cenário é descrito como extremo: ônibus sem ar-condicionado enfrentando o calor intenso da capital mato-grossense, veículos com infiltrações em dias de chuva e pontos de parada em condições precárias, sem proteção contra sol ou intempéries. A situação, afirma a entidade, beira a calamidade.
Outra denúncia considerada grave envolve a gratuidade no transporte aos domingos, em vigor em Cuiabá. De acordo com Aquino, o benefício não seria integral na prática: usuários sem saldo mínimo no cartão ainda que simbólico não conseguem passar pela catraca. “Não é de graça como foi divulgado”, afirma, acrescentando que a associação está produzindo relatórios periódicos para encaminhar às autoridades.
O sistema, operado por cinco empresas sob o guarda-chuva do MTU (associação que representa o setor), também é alvo de questionamentos quanto à transparência e à qualidade do serviço prestado. Parte dos grupos empresariais é de fora do estado, o que, segundo críticos, dificulta o alinhamento com as necessidades locais.
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No campo do planejamento urbano, a exclusão da sociedade civil nos debates do Plano Diretor de Cuiabá é outro ponto sensível. A associação afirma não ver propostas concretas para o transporte coletivo e denuncia a ausência de diálogo sobre temas centrais, como a estrutura dos pontos de ônibus e o impacto das obras do BRT projeto que se arrasta há anos e segue cercado de incertezas.
Diante desse cenário, a cobrança é direta: mais escuta, mais transparência e participação efetiva dos usuários nas decisões que moldam o transporte público. Enquanto isso não acontece, a rotina de quem depende do sistema segue marcada por calor, atraso e improviso, um retrato que expõe, sem filtros, o tamanho do desafio urbano na região.