
02/05/2026 - 14:24 | Atualizada: 03/05/2026 - 14:44
Em entrevista ao Caldeirão Político, o vereador Dídimo Vovô (PSB) fez um ataque frontal e sem rodeios à gestão do prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), descrevendo um cenário de desorganização, promessas abandonadas e uma administração que, segundo ele, “não sabe para onde vai”. Para o parlamentar, mesmo após mais de um terço do mandato, o prefeito ainda não se posicionou como gestor e transformou a capital em um ambiente de improviso constante. “Hoje Cuiabá tem um prefeito que brinca de ser prefeito. Ele quer aparecer em rede social, enquanto a cidade só acumula problemas”, disparou.
Dídimo afirma que o principal problema é a ausência de planejamento. Segundo ele, decisões são tomadas e desfeitas em questão de semanas, como no caso das secretarias municipais, que foram desmembradas e depois reorganizadas, evidenciando falta de direção. “Quando se tem um plano, você faz uma mudança e segue até o final. Aqui não tem começo, meio e fim. É bagunça administrativa”, criticou.
O vereador também aponta que o prefeito entrou em conflito com praticamente todos os setores organizados da cidade: sindicatos da saúde, técnicos de enfermagem, médicos, comerciantes, conselhos profissionais e lideranças comunitárias. Esse cenário, segundo ele, teria causado impactos diretos inclusive na economia, com perda de arrecadação no comércio. “Ele não consegue dialogar, não consegue construir. Só cria crise”, afirmou.
Entre as contradições mais graves, Dídimo destaca o descumprimento do plano de governo. A promessa de reduzir cargos comissionados, segundo ele, virou aumento da estrutura. A ideia de enxugar secretarias também não se concretizou. “Prometeu cortar 40%, mas aumentou. Disse que teria no máximo 12 secretarias, hoje tem cerca de 20. Cadê o plano de governo?”, questionou.
Na saúde, o cenário descrito é ainda mais crítico. O vereador acusa o prefeito de recusar mais de R$ 70 milhões em recursos federais para policlínicas, enquanto cidades como Rondonópolis e Sinop avançam com investimentos semelhantes. Ao mesmo tempo, afirma que unidades foram fechadas e serviços históricos desativados. “Ele disse que não podia abrir, jogou a culpa no governo federal. Isso não é verdade. Foi decisão dele”, declarou.#OLHO#
Segundo Dídimo, há uma estratégia para empurrar atendimentos para unidades financiadas com recursos federais, evitando custos da prefeitura. “Ele quer economizar na saúde às custas da população”, denunciou.
A situação, segundo o parlamentar, se agrava com redução de profissionais, tentativa de corte de benefícios e atraso de salários. Ele afirma que médicos estão há meses sem receber e que fornecedores acumulam dívidas milionárias. “A saúde em Cuiabá está um caos. Ninguém quer trabalhar porque não recebe. É desrespeito total”, disse.
Além disso, o vereador critica o que chama de “amadorismo” da gestão, citando episódios como recrutamento improvisado e falta de organização interna. Para ele, a atual administração falha em todas as áreas e compromete o funcionamento da cidade.
“O prefeito não sabe nada. Está perdido. Cuiabá hoje não tem governo, tem um experimento que não deu certo”, concluiu.
O conteúdo respeita o direito ao contraditório, permanecendo aberto para eventual manifestação da Prefeitura de Cuiabá sobre os pontos mencionados.