03/10/2026 - 10:04 | Atualizada em 04/10/2026 - 11:02
Cícero Henrique
A campanha para o Governo de Mato Grosso, iniciada em 16 de agosto, chegou à reta final com a segurança pública ocupando posição central nas agendas dos candidatos. Ao longo da disputa, porém, o debate também foi atravessado por estratégias que se aproximam do chamado confronto ad hominem, expressão utilizada para definir argumentos que deslocam a discussão das ideias e propostas para aspectos pessoais dos adversários, como trajetórias, relações políticas e biografias.
Às vésperas do primeiro turno das Eleições 2026, os candidatos encerraram oficialmente, neste sábado (3), as atividades de rua e a propaganda eleitoral antes da votação, marcada para domingo (4), das 8h às 17h. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 12.857.000 brasileiros estão aptos a comparecer às urnas no estado. Na reta final, a segurança pública permaneceu entre os temas mais recorrentes, enquanto parte da disputa política também se concentrou na tentativa de explorar características e históricos dos concorrentes.
Outro elemento que ganhou espaço na campanha foi a dinâmica das redes sociais. Com as estratégias eleitorais cada vez mais dependentes da circulação de conteúdos digitais, os algoritmos passaram a exercer papel relevante na definição dos assuntos que alcançam maior visibilidade. Nesse ambiente, a velocidade de propagação das informações e a capacidade de determinados conteúdos de gerar interação ajudaram a influenciar o agendamento das pautas discutidas no período eleitoral.
Os desafios climáticos e ambientais, por outro lado, tiveram menor presença nas discussões apresentadas durante a campanha, apesar da ocorrência periódica de tragédias em diferentes pontos do estado. O planejamento econômico também apareceu com menor destaque em comparação com outras pautas. Em vez de uma discussão mais ampla sobre cadeias produtivas, infraestrutura e desenvolvimento regional, o tema esteve frequentemente associado ao empreendedorismo e à necessidade de facilitar a atuação individual.
A questão econômica, nesse contexto, muitas vezes foi apresentada a partir da ideia de “desembaraçar” os esforços individuais, vinculada ao chamado empreendedorismo. Essa abordagem, contudo, deixou em segundo plano uma discussão mais abrangente sobre a estrutura econômica regional, as cadeias produtivas, a infraestrutura e as estratégias de desenvolvimento. Com o encerramento da campanha, esses temas integram o conjunto de questões que estiveram presentes, em diferentes graus, no debate pelo comando do Governo de Mato Grosso.
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