Júri condena três acusados pela morte de Roberto Zampieri a quase 69 anos de prisão
02/10/2026 - 09:28 | Atualizada em 05/10/2026 - 09:52
Redação
Foto: TJMT
O Tribunal do Júri da Comarca de Cuiabá condenou três acusados de participação no assassinato do advogado Roberto Zampieri a penas que, somadas, chegam a 68 anos, 9 meses e 30 dias de reclusão. A decisão foi anunciada às 00h49 desta sexta-feira (2), após três dias de julgamento, marcados pela apresentação de provas, depoimentos e debates entre acusação e defesa.
Antônio Gomes da Silva foi condenado a 21 anos, 10 meses e 15 dias de prisão. Hedilerson Fialho Martins Barbosa recebeu pena de 25 anos de reclusão, enquanto Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas foi condenado a 21 anos, 10 meses e 15 dias.
O julgamento envolveu a análise de um processo com mais de 55 mil páginas. Ao final, o Conselho de Sentença acolheu integralmente a tese apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) e reconheceu a responsabilidade dos três réus pelo homicídio.
Os jurados também reconheceram todas as qualificadoras apontadas na denúncia: homicídio cometido mediante paga ou promessa de recompensa, com recurso que dificultou a defesa da vítima e com emprego de arma de fogo de uso restrito.
JULGAMENTO DUROU TRÊS DIAS
A sessão contou com a atuação dos promotores de Justiça Samuel Frungilo e Vinícius Gahyva Martins, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do MPMT, além do assistente de acusação Giovani Santin, vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT).
No primeiro dia, foram ouvidas seis testemunhas, entre elas os delegados da Polícia Judiciária Civil Nilson André Farias de Oliveira e Edilson Ricardo Pick, que participaram de etapas da investigação, e o delegado da Polícia Federal Marco Bontempo.
Também prestaram depoimento José Marcos Marini, Mariana Costa Pinto e Lucilene Gonçalves da Silva. Os relatos abordaram a dinâmica do crime, a participação atribuída a cada acusado e os elementos reunidos durante as investigações.
O segundo dia foi dedicado aos interrogatórios dos três réus. Já no terceiro, acusação e defesa apresentaram seus argumentos finais aos jurados.
INVESTIGAÇÃO APONTOU PAGAMENTOS PELO CRIME
Durante a fase de réplica, os representantes do Ministério Público destacaram provas que, segundo a acusação, demonstraram o envolvimento dos condenados no homicídio. Entre os elementos apresentados esteve o rastreamento de movimentações financeiras relacionadas ao crime.
Conforme sustentado pelo MPMT, foram comprovados pagamentos de R$ 124.250 antes da execução e de outros R$ 60 mil após o assassinato. Segundo a acusação, os recursos teriam origem em valores pagos pelos apontados mandantes do crime.
Outro ponto abordado durante os debates foi a suspeita de que Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas teria solicitado entre R$ 500 mil e R$ 750 mil para que ele e os demais envolvidos não revelassem às autoridades a identidade dos mandantes.
Ao defender a condenação, o promotor Samuel Frungilo ressaltou a quantidade de provas reunidas ao longo da investigação e do processo.
“Eu tenho 27 anos de Ministério Público. Eu nunca vi um crime de recompensa e homicídio mercenário com tantas provas”, afirmou aos jurados.
O promotor Vinícius Gahyva Martins, por sua vez, enfatizou o planejamento do crime e a vulnerabilidade da vítima no momento da execução.
“Planejaram e esperaram o melhor momento de vulnerabilidade da vítima para poder retirar o seu bem mais precioso, o direito de viver. O maior roubo que alguém pode sofrer é a interrupção do curso da sua existência”, declarou.
PAPEL DE CADA CONDENADO
De acordo com a denúncia do Ministério Público, Antônio Gomes da Silva foi apontado como o autor dos disparos que mataram Roberto Zampieri.
Hedilerson Fialho Martins Barbosa foi acusado de participar da execução do plano criminoso, incluindo o fornecimento da arma utilizada no homicídio. Já Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas foi denunciado por integrar a empreitada criminosa.
Com a decisão do Tribunal do Júri, os três foram condenados pelas acusações de homicídio qualificado, com o reconhecimento das circunstâncias agravantes descritas na denúncia.
O resultado encerra o julgamento em primeira instância sobre a responsabilidade dos três acusados pela execução do advogado, após um processo que mobilizou provas testemunhais, técnicas e financeiras e se estendeu por três dias no Tribunal do Júri de Cuiabá.