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Réu confesso pela morte de Zampieri diz que agiu contra corrupção no Judiciário durante julgamento

JÚRI EM CUIABÁ

30/09/2026 - 15:31

Redação

Réu confesso pela morte de Zampieri diz que agiu contra corrupção no Judiciário durante julgamento

Foto: Josi Dias/TJMT

O réu confesso pela morte do advogado Roberto Zampieri, Antônio Gomes da Silva, afirmou nesta quarta-feira (30), durante interrogatório no Tribunal do Júri, que decidiu cometer o crime movido pela indignação com o que classificou como corrupção no Judiciário. “Um corrupto eu mandei para o inferno”, declarou. O depoimento ocorre no segundo dia de julgamento do caso, no Fórum de Cuiabá. Além de Antônio, são réus Hedilerson Fialho Martins Barbosa e o coronel reformado do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, que também devem ser interrogados nesta quarta-feira.

A imprensa não está autorizada a fazer filmagens durante os depoimentos. Antônio optou por responder apenas às perguntas formuladas por seus advogados. Durante o interrogatório, afirmou que acompanha política desde criança e que, em 2023, passou a observar o que chamou de “desmantelo do tribunal de Curitiba”, que, segundo ele, estaria “capengando na corrupção”. O réu se emocionou e chorou ao falar sobre a família e disse que, diante das situações que acompanhava, passou a acreditar que “a corrupção está tomando conta do nosso país”.

Antônio relatou que decidiu viajar para Cuiabá e cometer o crime após assistir a uma reportagem sobre famílias que teriam sido retiradas de terras em Mato Grosso. Segundo ele, essas pessoas teriam ficado sem lugar para morar depois de deixarem as propriedades. O réu afirmou não saber se elas ocupavam as áreas de forma irregular, mas disse ter se indignado com a maneira como a situação teria sido conduzida. “Não sei se eram invasores de terra, mas nossa pátria é grande e rica. Tinha condições de colocar eles em outro lugar para morar, mas jogaram os gados na estrada”, afirmou.

Ainda conforme o depoimento, Antônio recebeu uma fotografia e informações sobre Zampieri, que, segundo o que lhe foi relatado, estaria “lesando muita gente no Judiciário”, especialmente em casos envolvendo desapropriações de terras. “Temos um cara lá em Cuiabá, Mato Grosso, sabemos que você não gosta de corrupto. Eu nem tinha muita noção. Esse cara está lesando muita gente no Judiciário. Chegou o momento”, relatou, sem identificar quem teria repassado as informações. A versão apresentada durante o interrogatório segue a linha anunciada anteriormente pela defesa, segundo a qual Antônio teria vindo a Mato Grosso motivado pelo que considerava uma busca por “justiça”, e não para atuar como executor contratado.

 

 

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