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DARK HORSE: FLÁVIO BOLSONARO É O ÚNICO CANDIDATO À PRESIDÊNCIA NO RASTRO FINANCEIRO DE VORCARO

ELEIÇÕES 2026

13/09/2026 - 10:50

Cícero Henrique

DARK HORSE: FLÁVIO BOLSONARO É O ÚNICO CANDIDATO À PRESIDÊNCIA  NO RASTRO FINANCEIRO DE VORCARO

Foto: Beto Barata/Agência Senado

A investigação da Polícia Federal coloca Flávio Bolsonaro diante de uma tempestade política que ele próprio terá de explicar. Os documentos revelados mostram o candidato à Presidência como interlocutor direto de Daniel Vorcaro na tentativa de viabilizar recursos para Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro. A cronologia não descreve um contato casual ou distante: Flávio cobrava repasses, acompanhava o andamento das filmagens, tratava de dificuldades orçamentárias e buscava soluções diretamente com o banqueiro. Para quem pretende comandar o país, a dimensão dessa relação transforma o caso em um problema político de enorme proporção.

O ponto mais delicado está na sequência dos acontecimentos. Flávio pressionou Vorcaro diante de pagamentos atrasados e chegou a alertá-lo de que a produção estava “no limite” do orçamento, pedindo aviso imediato caso o dinheiro não fosse liberado para que pudesse procurar “outro caminho com urgência”. Depois, agradeceu ao banqueiro pelo apoio e afirmou que tudo aquilo só estava sendo possível por causa dele. A investigação também registrou uma ligação entre os dois em 16 de setembro, mesma data em que o Coaf identificou uma remessa de US$ 1,66 milhão da Entre Investimentos para o fundo Havengate, nos Estados Unidos. A PF, porém, não afirma que a ligação tenha tratado da transferência — uma ressalva que precisa ser preservada, mas que não elimina a relevância da coincidência temporal.

A situação ganha ainda mais peso diante da mudança na versão apresentada pelo próprio Flávio. Inicialmente, ele negou ter pedido dinheiro a Vorcaro; posteriormente, admitiu que havia solicitado recursos para o filme. Também veio à tona um encontro entre os dois quando o banqueiro estava em prisão domiciliar e usava tornozeleira eletrônica, reunião que não aparece na cronologia do relatório da PF. Flávio confirmou o encontro e afirmou que pretendia colocar um ponto final na questão envolvendo Dark Horse. O conjunto dos registros, portanto, deixa pouco espaço para a tentativa de apresentar o senador como simples espectador de uma operação da qual acompanhava de perto os problemas financeiros e os repasses.

O caso agora coloca Flávio diante de perguntas que ultrapassam a disputa eleitoral e atingem diretamente sua imagem pública. A investigação ainda procura esclarecer a origem e o caminho dos recursos, a utilização da Entre Investimentos, o papel do Havengate e o destino final das quantias. Isso não significa, por si só, que Flávio tenha cometido crime — ele nega irregularidades e afirma não ter recebido valores diretamente. Mas, politicamente, a situação é difícil de contornar: o candidato que pretende ocupar o Palácio do Planalto aparece nos registros da PF cobrando dinheiro, acompanhando uma produção cinematográfica ligada à própria família e mantendo contato direto com um banqueiro posteriormente preso. Enquanto as respostas definitivas não aparecem, Dark Horse deixa de ser apenas um filme sobre Jair Bolsonaro e passa a representar uma das maiores sombras financeiras sobre a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.

 

 

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