Petição pede ao STF a prisão de Mauro Mendes e Fábio Garcia por suposta quebra de cautelares
09/09/2026 - 11:23 | Atualizada em 14/09/2026 - 09:01
Foto: Reprodução
Uma nova petição encaminhada à Procuradoria-Geral da República (PGR) pede que o Supremo Tribunal Federal (STF) avalie a prisão preventiva do ex-governador de Mato Grosso Mauro Mendes (União) e do deputado federal Fábio Garcia (União), ambos investigados no âmbito da Operação Heritage.
O documento corresponde ao terceiro aditamento de uma representação criminal e foi apresentado pelo escritório do ex-governador e advogado Pedro Taques (PSB). Segundo a peça, os investigados teriam descumprido medidas cautelares determinadas pelo STF e, além disso, haveria indícios de utilização irregular de recursos públicos de comunicação para divulgação de conteúdos favoráveis à defesa dos investigados e críticos à Polícia Federal, à PGR e ao próprio Supremo.
A representação tem como um dos principais argumentos uma suposta violação da determinação de não comunicação entre pessoas investigadas na Operação Heritage. As medidas foram determinadas em julho de 2026 pelo ministro Flávio Dino, relator do Inquérito 1822, que apura suspeitas relacionadas a crimes como contra o sistema financeiro, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
De acordo com a petição, Mauro Mendes e Fábio Garcia teriam ignorado a restrição durante um evento político realizado em Sinop, no dia 5 de setembro. Os dois participaram do lançamento da candidatura do deputado estadual Dilmar Dal Bosco (União) e, segundo a representação, dividiram o mesmo palanque, permaneceram próximos, cumprimentaram-se e teriam conversado reservadamente.
A defesa da representação sustenta que a restrição determinada pelo STF não se limitaria à proibição de conversas, mas impediria também aproximações deliberadas entre os investigados. O documento cita ainda que ambos disputam cargos nas eleições deste ano — Mauro Mendes ao Senado e Fábio Garcia como candidato a vice-governador —, circunstância que, segundo a petição, aumentaria a preocupação com eventual alinhamento entre os investigados.
Outro ponto levantado na representação é uma suposta atuação coordenada nas redes sociais para contestar e descredibilizar as investigações. A petição menciona declarações atribuídas a Mauro Mendes após a deflagração da Operação Heritage, nas quais o ex-governador teria classificado elementos da investigação como uma “armação eleitoral” e feito outras críticas ao trabalho das autoridades.
O documento também questiona gastos realizados pelo Governo de Mato Grosso na área de comunicação social. Conforme levantamento apresentado pelos autores da representação, mais de R$ 2,6 milhões teriam sido empenhados ou pagos em comunicação na semana posterior à operação, com concentração de pagamentos em determinados dias.
A partir desses dados, a petição levanta a hipótese de que a estrutura de comunicação do Estado e empresas de publicidade contratadas pelo poder público possam ter sido utilizadas para impulsionar conteúdos relacionados à defesa dos investigados. A alegação, contudo, ainda depende de apuração pelos órgãos competentes.
Diante dos fatos relatados, a representação solicita que o Ministério Público Federal leve ao STF um pedido de prisão preventiva contra Mauro Mendes e Fábio Garcia. Como alternativa, pede o endurecimento das medidas cautelares atualmente impostas.
Entre as providências sugeridas estão o uso de tornozeleira eletrônica com mecanismo de alerta em caso de aproximação entre os investigados, a proibição de participação conjunta em eventos de campanha, a suspensão de determinadas funções públicas e restrições relacionadas à utilização de recursos estaduais de publicidade para manifestações sobre o inquérito.
A petição também requer novas diligências da Polícia Federal, incluindo perícia nos vídeos registrados durante o evento em Sinop, acesso a contratos e planos de mídia da Secretaria de Comunicação do Estado e a tomada de depoimentos de responsáveis por portais de notícias e organizadores do evento político.
O documento ainda pede que seja investigada a possibilidade de eventual crime relacionado ao embaraço das investigações sobre organização criminosa.
As acusações e suspeitas apresentadas na petição deverão ser analisadas pelas autoridades competentes e, até eventual decisão judicial em sentido contrário, não representam condenação ou comprovação definitiva das condutas atribuídas aos investigados.
Crédito: Lázaro Thor / Portal PNB