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Notícias | Malagueta

ESCÂNDALO SOB PRESSÃO: ALGUNS POLÍTICOS ATACAM A IMPRENSA PARA FUGIR DE INVESTIGAÇÕES E SUSPEITAS

SOBRAM ATAQUES CONTRA QUEM DENUNCIA

08/09/2026 - 12:16 | Atualizada em 08/09/2026 - 12:34

Cícero Henrique

ESCÂNDALO SOB PRESSÃO: ALGUNS POLÍTICOS ATACAM A IMPRENSA PARA FUGIR DE INVESTIGAÇÕES E SUSPEITAS

Foto: Reprodução

Há uma reação cada vez mais preocupante de determinados políticos diante de investigações, denúncias e críticas relacionadas a obras públicas, contratos, suspeitas de irregularidades e possíveis superfaturamentos. Quando a fiscalização aperta, alguns preferem atacar o mensageiro em vez de responder às perguntas. Jornalistas, adversários e cidadãos que levantam questionamentos passam a ser chamados de “invejosos”, “ignorantes” ou acusados de perseguição. É uma inversão completa de valores: em vez de explicar o destino do dinheiro público e enfrentar as suspeitas com transparência, tenta-se desqualificar quem cobra respostas. Mas ninguém critica uma possível irregularidade por inveja. Critica-se porque recursos públicos pertencem à população e porque toda suspeita envolvendo obras e contratos precisa ser esclarecida.

O discurso de que toda crítica é fruto de inveja também pode funcionar como uma cortina de fumaça extremamente conveniente. Se não existe irregularidade, que se apresentem documentos, contratos, medições, valores e explicações capazes de afastar qualquer dúvida. Se existem suspeitas, que sejam investigadas até o fim. O que não pode prevalecer é a tentativa de intimidar a fiscalização por meio de ataques pessoais. O político que escolhe a vida pública precisa compreender que não está acima das perguntas da sociedade. Muito menos pode esperar aplausos quando surgem denúncias envolvendo dinheiro público. A democracia não funciona com políticos escolhendo quais perguntas querem responder e quais jornalistas ou críticos merecem ser atacados.

O problema ganha uma dimensão ainda mais delicada quando a disputa eleitoral entra nesse cenário. A eventual eleição de um político investigado para o Congresso Nacional pode alimentar na sociedade a sensação de que o mandato parlamentar se transforma em uma espécie de escudo contra a responsabilização. A Constituição estabelece prerrogativas e imunidades aos congressistas, dentro de limites e regras próprias, e isso não significa que parlamentar esteja automaticamente livre de investigação ou punição. Ainda assim, a percepção popular de que determinados políticos conseguem atravessar sucessivas crises, denúncias e investigações sem sofrer consequências efetivas corrói perigosamente a confiança nas instituições. Brasil e Mato Grosso conhecem bem esse sentimento de descrença, que se fortalece toda vez que a população vê escândalos ocuparem as manchetes e, depois, observa a vida política seguir praticamente intacta.

Nesse ambiente, cresce a sensação de que a imprensa está simplesmente “enxugando gelo”. Noticia a denúncia, revela a suspeita, acompanha a investigação e cobra providências, enquanto os mesmos personagens continuam disputando eleições e ocupando espaços de poder. E, quando a imprensa cumpre seu papel, surgem os rótulos: “invejosa”, “ignorante”, “perseguidora”. É uma estratégia perigosa porque tenta transformar o fiscalizado em vítima e o fiscal em vilão. A sociedade não precisa de políticos indignados porque foram questionados; precisa de homens públicos dispostos a prestar contas. Se há transparência, que os documentos falem. Se há inocência, que seja demonstrada pelas instituições competentes. E se houver crime, que haja responsabilização. O que não pode ser normalizado é o silêncio diante das suspeitas e o ataque contra quem ousa perguntar onde foi parar o dinheiro do povo.

 

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