04/09/2026 - 16:48
Cícero Henrique
A distribuição de recursos nas eleições de 2026 expõe um cenário marcado pela forte dependência do dinheiro público e pela desigualdade no acesso aos recursos de campanha. A um mês do primeiro turno, as candidaturas já declararam R$ 3,38 bilhões à Justiça Eleitoral, mas 9.418 dos 20.860 candidatos registrados ainda não informaram qualquer receita. O número representa 45,2% das candidaturas, enquanto 11.442, ou 54,9%, já registraram algum valor. Os dados, atualizados na quinta-feira (3), são de levantamento da plataforma independente 72Horas, com informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O dado mais expressivo está na origem desse dinheiro. Dos R$ 3,38 bilhões declarados, R$ 3,03 bilhões vieram do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), conhecido como Fundo Eleitoral, enquanto R$ 108,9 milhões foram provenientes do Fundo Partidário. Somados, os dois mecanismos públicos respondem por R$ 3,14 bilhões, o equivalente a 93% de todos os recursos informados pelas campanhas. Apenas R$ 237,1 milhões, cerca de 7%, aparecem classificados como outros recursos, categoria que reúne doações de pessoas físicas, financiamento coletivo e dinheiro dos próprios candidatos. O Fundão, sozinho, representa 89,7% de tudo o que foi declarado.
A concentração de candidaturas sem recursos é ainda mais evidente nas disputas legislativas. Entre os candidatos a deputado estadual, 5.203 dos 11.251 registrados, ou 46%, ainda não declararam receitas. Na corrida para a Câmara dos Deputados, são 2.975 dos 7.760 candidatos, correspondendo a 38%. No Senado, a parcela chega a 34%, enquanto entre os candidatos a governador é de 33%. Na disputa presidencial, o cenário é diferente: apenas duas das 13 candidaturas ainda não registraram recursos. Os números revelam uma eleição em que o acesso ao financiamento está longe de ser distribuído de forma uniforme entre os concorrentes.
A Câmara dos Deputados concentra a maior fatia do dinheiro eleitoral: R$ 1,9 bilhão, equivalente a 56% dos R$ 3,38 bilhões declarados. O montante supera, isoladamente, a soma destinada às demais disputas. Na sequência aparecem deputado estadual, com R$ 749,4 milhões; governador, R$ 338,4 milhões; senador, R$ 302,6 milhões; presidente, R$ 67,4 milhões; e deputado distrital, R$ 16,9 milhões. Câmara e Senado juntos reúnem R$ 2,2 bilhões, cerca de 65% do total. Entre os candidatos com maiores valores declarados, Lula (PT) aparece com R$ 35,3 milhões, seguido por Flávio Bolsonaro (PL), com R$ 22,3 milhões. Também aparecem Douglas Ruas (PL-RJ), com R$ 17,8 milhões; Tarcísio (Republicanos-SP), R$ 12,3 milhões; Fernando Haddad (PT-SP), R$ 12,1 milhões; Sergio Moro (PL-PR), R$ 11,6 milhões; e Zucco (PL-RS), também com cerca de R$ 11,6 milhões.
10/10/2026 - 14:13
10/10/2026 - 11:02
10/10/2026 - 09:26
10/10/2026 - 09:22
09/10/2026 - 17:10
10/10/2026 - 14:13
10/10/2026 - 11:24
10/10/2026 - 11:02
10/10/2026 - 09:26
10/10/2026 - 09:22