03/09/2026 - 13:39 | Atualizada em 03/09/2026 - 19:41
Cícero Henrique
A votação da PEC que prevê o fim da escala 6x1 e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas foi adiada no Senado após uma articulação da oposição que, segundo o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), foi comandada pelos senadores Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Rogério Marinho (PL-RN).
A proposta estava prevista para ser votada nesta quarta-feira (2), mas acabou sendo empurrada para outubro. O motivo apresentado pelo governo foi a falta de segurança sobre a quantidade de votos necessários para aprovar uma PEC: são 49 votos.
Randolfe foi direto ao apontar a atuação da oposição. Segundo ele, Flávio Bolsonaro e Rogério Marinho conseguiram articular o adiamento da votação, evitando que a matéria fosse colocada em plenário sem que houvesse certeza sobre o resultado.
Mesmo com o painel indicando a presença de senadores suficiente para uma votação, o governo avaliou que não tinha segurança para alcançar os 49 votos.
Flávio Bolsonaro no centro da reação contra a PEC
O episódio coloca Flávio Bolsonaro no centro da articulação contra a proposta que pretende acabar com a escala 6x1.
A estratégia da oposição, conforme relatado por Randolfe, foi suficiente para impedir que a PEC fosse submetida ao plenário no momento em que o governo ainda não tinha os votos necessários para assegurar sua aprovação.
O líder governista revelou que conversou com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), sobre a votação. Segundo Randolfe, Alcolumbre questionou se havia votos suficientes para aprovar a proposta. A resposta foi de incerteza.
“Poderíamos conseguir a aprovação? Poderíamos. Mas havia risco”, afirmou Randolfe.
Para o senador, não seria adequado colocar em votação uma proposta dessa dimensão sem que o governo tivesse segurança sobre o resultado.
Governo promete nova ofensiva
Apesar do adiamento, Randolfe afirmou que o governo pretende insistir na votação da PEC.
“Eu posso garantir a vocês o seguinte: nós iremos votar essa proposta de emenda constitucional a qualquer custo”, declarou.
A expectativa apresentada pelo líder governista é que a votação possa ocorrer em um novo esforço concentrado antes do primeiro turno das eleições. Porém, segundo ele, a segunda semana de outubro aparece como o cenário mais provável.
Randolfe também afirmou que a oposição poderá ter de assumir publicamente sua posição quando a PEC for colocada em votação, inclusive com o registro dos votos no painel do Senado.
Disputa política ganha novo capítulo
O adiamento transforma a PEC do fim da escala 6x1 em mais um campo de confronto entre governo e oposição no Senado.
De um lado, o governo busca reunir os 49 votos necessários para aprovar a proposta. Do outro, a oposição liderada, segundo Randolfe, por Flávio Bolsonaro e Rogério Marinho conseguiu adiar a votação, evitando uma disputa no plenário sem garantia de vitória.
A batalha agora está transferida para outubro — e o próximo movimento dependerá da capacidade de cada lado de reunir votos para definir o futuro da proposta que pretende mudar a jornada de milhões de trabalhadores.
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