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GUERRA PELO GOVERNO DE MT: PIVETTA E WELLINGTON MERGULHAM ELEIÇÃO EM DRAMALHÃO INTERMINÁVEL

ELEIÇÃO 2026

31/08/2026 - 18:53 | Atualizada em 01/09/2026 - 10:48

Cícero Henrique

GUERRA PELO GOVERNO DE MT: PIVETTA E WELLINGTON MERGULHAM ELEIÇÃO EM DRAMALHÃO INTERMINÁVEL

Foto: Reprodução/Instagram

O bom do início de toda campanha eleitoral é a certeza de que, em algum momento, ela chegará ao fim. O problema é que, em Mato Grosso, a perspectiva de encerramento ainda parece distante diante de uma disputa que já começa a produzir desgaste antes mesmo de outubro. E há uma ironia adicional: quando finalmente terminarem as eleições de 2026, não haverá muito tempo para respirar. Pouco mais de um ano depois, a política voltará a ocupar o centro das atenções com as eleições municipais. Para o eleitor, fica a sensação de um ciclo permanente de campanhas, discursos, ataques e promessas, enquanto os problemas concretos do Estado continuam à espera de respostas.

Em Mato Grosso, o cenário que se desenha é inédito e, raras vezes, visto com tamanha intensidade em outros estados. É com enorme dissabor e vergonha que se pode falar em um rebaixamento àquilo que se convencionou chamar de miséria política — não necessariamente pela existência do conflito eleitoral, que é legítimo e próprio da democracia, mas pela forma como determinadas disputas podem ser conduzidas. A política deveria representar projetos, ideias, propostas e diferentes visões sobre o futuro do Estado. Quando a competição passa a ser dominada pelo confronto permanente e pela disputa de narrativas, o eleitor corre o risco de ficar em segundo plano justamente no momento em que deveria ser o principal destinatário do debate.

Os candidatos ao Governo de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos) e Wellington Fagundes (PL), transformaram uma novela que já seria de gosto duvidoso em um dramalhão mexicano interminável e abaixo da crítica. A disputa entre os dois tende a ocupar grande espaço no processo eleitoral, mas Mato Grosso é muito maior do que qualquer embate entre candidatos. Um dos estados mais complexos do Brasil, com seus 142 municípios e mais de 3,9 milhões de habitantes, chegará a 1º de janeiro de 2027 carregando problemas que exigirão respostas concretas de quem vencer a eleição. O eleitor, portanto, não deveria ser condenado a assistir apenas ao espetáculo da disputa política: precisa conhecer projetos, prioridades, compromissos e, principalmente, como cada candidato pretende enfrentar os desafios do Estado.

Tudo o mais constante, noves fora, nada, poderemos chegar a outubro como eleitores ainda mais cansados e desesperançados. E o maior risco de uma campanha marcada pelo excesso de conflito não é apenas o desgaste dos candidatos, mas o desgaste da própria política diante de uma população que espera soluções e pode terminar o processo eleitoral com a sensação de que pouco ou nada mudará. A democracia precisa do debate, da crítica e da disputa, mas também exige responsabilidade daqueles que pretendem governar. Até lá, resta ao eleitor acompanhar, cobrar e separar o que é confronto eleitoral do que efetivamente interessa ao futuro de Mato Grosso.

Favor me acordar quando setembro — ops, outubro — acabar.

 

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