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R$ 61 milhões colocam Flávio Bolsonaro no centro de investigação da PF sobre filme “Dark Horse”

PF APURA DINHEIRO

30/08/2026 - 05:42 | Atualizada em 30/08/2026 - 10:53

Cícero Henrique

R$ 61 milhões colocam Flávio Bolsonaro no centro de investigação da PF sobre filme “Dark Horse”

Foto: Reprodução

Os rumos da investigação da Polícia Federal sobre as movimentações financeiras envolvendo o projeto cinematográfico “Dark Horse”, relacionado à trajetória de Jair Bolsonaro, ganharam uma dimensão mais grave. A narrativa de que os valores bilionários e as movimentações atípicas seriam apenas uma transação comercial comum passou a enfrentar forte questionamento dentro da PF, segundo apuração da colunista Andréia Sadi, do g1 e da GloboNews. Enquanto Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência da República, sustenta que a relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro teve caráter exclusivamente empresarial, investigadores passaram a analisar as operações sob a perspectiva criminal.

Em sabatina exibida na sexta-feira (28), Flávio Bolsonaro afirmou que a busca por aportes junto ao ex-controlador do Banco Master tinha como objetivo financiar a produção audiovisual “Dark Horse” e negou que os recursos tivessem sido destinados diretamente a suas contas pessoais. A versão apresentada pelo senador, entretanto, não encerra as dúvidas que estão sendo examinadas pelos investigadores. Segundo a apuração citada, a PF avalia a possibilidade de crimes como corrupção passiva e ocultação de bens, investigando se o mandato parlamentar ou a influência política do senador poderiam ter servido de pano de fundo para a obtenção de benefícios financeiros considerados injustificados.

O foco dos federais está também na engenharia financeira que permitiu a movimentação das cifras. A investigação busca esclarecer a origem dos valores, os caminhos percorridos pelo dinheiro, as pessoas físicas e jurídicas eventualmente utilizadas como intermediárias e o destino final dos recursos. Dois elementos passaram a chamar a atenção dos investigadores: o suposto desinteresse de Vorcaro em associar publicamente seu nome ou o de suas empresas ao financiamento da produção e as declarações do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, sobre uma ida presencial de Flávio Bolsonaro à residência do ex-banqueiro para recolher valores remanescentes.

O caso, portanto, está distante de ser tratado apenas como uma operação comercial comum. A apuração da PF procura determinar se os R$ 61 milhões movimentados em torno do projeto “Dark Horse” possuem explicação empresarial legítima ou se escondem uma estrutura financeira com implicações criminais. A investigação ainda precisa estabelecer responsabilidades e comprovar os fatos, mas a mudança de enquadramento adotada pelos investigadores coloca Flávio Bolsonaro diante de um episódio de enorme peso político e jurídico, justamente quando seu nome é colocado no centro da disputa pela Presidência da República.

 

 

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