29/08/2026 - 12:54 | Atualizada em 30/08/2026 - 06:24
Redação
A disputa pelo Palácio do Planalto ganhou contornos mais agressivos com a estreia da propaganda eleitoral no rádio. Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, combinou a defesa de programas do governo com ataques diretos a Flávio Bolsonaro (PL). Nos 5 minutos e 31 segundos reservados ao petista, a campanha exaltou a expansão de institutos federais e universidades, destacou o Pé-de-Meia e apresentou o fim da escala 6×1 como uma das bandeiras de Lula para um eventual novo mandato.
Mas o programa petista não ficou restrito à vitrine de realizações. Embalado pelo slogan “Brasil pronto para mais”, Lula abriu espaço para uma ofensiva pesada contra o principal adversário. A propaganda reproduziu áudios relacionados ao pedido de recursos feito por Flávio ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, episódio que está sob investigação. No golpe mais duro da peça, a campanha encerrou o programa classificando o candidato do PL como “Flávio, o pior dos Bolsonaros” e ainda trouxe à tona o caso das “rachadinhas”, no qual provas foram posteriormente anuladas pela Justiça.
Com 4 minutos e 20 segundos, Flávio seguiu por uma estrada diferente. Em vez de concentrar fogo em casos envolvendo a família de Lula, o candidato atacou problemas que considera vulnerabilidades do atual governo, como violência, crime organizado, inflação, endividamento e preços dos alimentos. A mensagem foi construída sobre um contraste direto: enquanto Lula mostraria “cenas bonitas”, Flávio prometeu apresentar ao eleitor o “Brasil real”. A propaganda também investiu na humanização do candidato, com referências à esposa e às filhas, enquanto Jair Bolsonaro apareceu de forma mais discreta e distante do protagonismo.
A estratégia do PL também mostrou uma tentativa clara de reduzir resistências entre as mulheres, eleitorado considerado decisivo na corrida presidencial. O movimento ocorre após a turbulenta relação pública entre Flávio e Michelle Bolsonaro, que chegou a criticá-lo em junho, antes de os dois aparecerem juntos em vídeos meses depois. Assim, já na largada do horário eleitoral, as duas campanhas deixaram evidente o tom da batalha: Lula aposta na vitrine de programas sociais enquanto tenta desgastar Flávio com episódios controversos; o candidato do PL prefere explorar o bolso e a sensação de insegurança dos brasileiros para vender a ideia de que o país apresentado pelo governo está distante da realidade.
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