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BRT e destruição ambiental: Cuiabá derruba árvores e enfrenta calor de até 43°C

CUIABÁ TROCA ÁRVORES POR CONCRETO

29/08/2026 - 11:48 | Atualizada em 30/08/2026 - 05:47

Cícero Henrique

BRT e destruição ambiental: Cuiabá derruba árvores e enfrenta calor de até 43°C

Foto: Cícero Henrique/Caldeirão Político

A construção do trecho do BRT em Cuiabá, marcada por uma trajetória de 17 anos, tornou-se símbolo de uma obra cercada por denúncias de irregularidades e questionamentos sobre possíveis superfaturamentos. Paralelamente aos problemas relacionados à implantação do corredor, chama atenção o impacto ambiental provocado pela retirada das árvores ao longo do trajeto. Em uma cidade que enfrenta temperaturas que podem chegar a 43°C, a eliminação da cobertura vegetal agrava a sensação térmica e expõe a população a um ambiente urbano cada vez mais hostil.

Cuiabá, historicamente conhecida pela presença de árvores e áreas verdes, também vem sendo alvo de críticas pela derrubada de centenas de árvores em diferentes pontos da cidade, incluindo exemplares antigos. Entre os casos questionados estão intervenções relacionadas à construção de condomínios. O avanço do concreto sobre áreas arborizadas reduz a cobertura vegetal e contribui para o aumento das chamadas ilhas de calor, tornando ainda mais difícil a vida de quem enfrenta diariamente as altas temperaturas da capital.

Os efeitos desse processo não ficam restritos ao meio ambiente. O aumento das temperaturas e a piora da qualidade ambiental podem ampliar os riscos à saúde, especialmente entre pessoas mais vulneráveis a problemas respiratórios e aos efeitos do calor extremo. Enquanto isso, parte da classe política mantém um discurso de defesa do meio ambiente durante períodos eleitorais, mas enfrenta críticas quando apoia medidas que permitem desmatamentos, retirada de árvores e ocupação cada vez maior de áreas verdes. A contradição entre discurso e prática acaba recaindo sobre toda a população.

O problema também ultrapassa os limites de Cuiabá. Mato Grosso aparece com frequência entre os estados brasileiros com maiores índices de desmatamento, enquanto o debate sobre mudanças climáticas ainda encontra resistência no ambiente político. A negação ou minimização dos efeitos do aquecimento global, inclusive entre políticos de direita, contribui para dificultar a adoção de medidas de prevenção e adaptação. A conta das mudanças climáticas, porém, já começa a aparecer no cotidiano: temperaturas mais extremas, pressão sobre a saúde pública e uma cidade cada vez mais dependente de políticas capazes de recuperar aquilo que foi destruído.

 

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