29/08/2026 - 10:26 | Atualizada em 31/08/2026 - 15:22
Redação
Os advogados José Antonio Cremasco e Thais Proença Cremasco tiveram os seus registros na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) suspensos e estão impedidos de exercer a profissão. A medida, determinada pela 17ª Turma do Tribunal de Ética e Disciplina e divulgada nesta quinta-feira (27), decorre de supostas irregularidades no repasse de valores de ações judiciais aos clientes. A punição tem caráter preventivo e prazo de 90 dias, enquanto o caso segue sob investigação interna da OAB e da Polícia Civil.
Em julho de 2026 os advogados foram condenados a pagar R$ 239,5 mil a um cliente que não recebeu o montante referente a uma ação trabalhista de 2014. A decisão, da qual cabe recurso, foi proferida pelo juiz Felipe Guinsani, da 7ª Vara Cível de Campinas. Segundo o magistrado, o escritório Cremasco levantou os valores em uma ação que tramitou na 10ª Vara do Trabalho de Campinas, cujo total era de R$ 319.402,58, mas reteve quantia superior aos 25% previstos em contrato a título de honorários.
A Polícia Civil apura pelo menos nove inquéritos com teor semelhante. Um deles foi instaurado em 2025, após denúncia encaminhada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP). A OAB confirmou as suspensões e ressaltou que apura todas as infrações disciplinares, por representação ou fatos divulgados publicamente, mantendo os processos sob sigilo.
O advogado José Antonio Cremasco declarou ter "absoluto respeito pela OAB e pelas instituições". Ele afirmou que a decisão será tratada pelos meios jurídicos adequados e que apresentará os esclarecimentos pertinentes. "Neste momento, por cautela e respeito ao próprio procedimento, prefiro não discutir publicamente aspectos específicos do processo. Ao longo de mais de quatro décadas de advocacia, sempre pautei minha atuação pelo respeito aos clientes, à Justiça e às instituições, e seguirei exercendo plenamente meu direito de defesa", completou.
Thais Proença Cremasco afirmou ter recebido a decisão "com respeito, mas com preocupação". A advogada destacou sua confiança na Justiça e na OAB, ressaltando sua trajetória na defesa de direitos de mulheres, da população negra e de grupos vulneráveis. Ela declarou que irá recorrer da medida e que o questionamento não representa um ataque à entidade, mas o exercício do direito à ampla defesa. "Não quero e não posso acreditar que a Ordem dos Advogados do Brasil possa reproduzir, ainda que involuntariamente, mecanismos de violência institucional contra uma mulher advogada", afirmou.
Relatos de supostas vítimas indicam problemas recorrentes. O ambulante Felipe Costa Araújo, que venceu uma ação trabalhista em 2018, afirmou que o escritório recebeu o valor sem realizar o repasse. Edson Vidotti, que moveu processo contra a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) em 2021, relatou que o escritório reteve cerca de R$ 370 mil de um total recebido. A Justiça condenou o escritório Cremasco a pagar R$ 346.346,87 a Edson, em decisão que transitou em julgado em 17 de dezembro de 2024.
Thais nega apropriação de valores e sustenta que os contratos eram com o escritório de seu pai, José Antonio Cremasco. Ela afirma que não trabalha mais no local desde 2024 e que o pai determinava as contas para recebimento. Segundo ela, José Antonio teria assinado documento reconhecendo a responsabilidade pelas dívidas. Por outro lado, José Antonio atribui a responsabilidade à filha, afirmando que ela detinha a gerência financeira entre 2022 e 2024. Ele informou que contratou um administrador profissional em agosto de 2025 para organizar os recebimentos e que segue pagando clientes à medida que novos valores são recebidos.
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