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Eleição em Mato Grosso: O fantasma do segundo turno

NAUFRÁGIO ELEITORAL

24/08/2026 - 19:22

Cícero Henrique

Eleição em Mato Grosso: O fantasma do segundo turno

Foto: Reprodução

O fantasma do segundo turno em Mato Grosso começa a influenciar diretamente a estratégia dos candidatos ao Governo do Estado. Diante de uma disputa que pode ser decidida em duas etapas, as campanhas passaram a fazer contas, medir forças e ampliar a busca por aliados, lideranças políticas e representantes de diferentes segmentos.

Nesse movimento, candidatos de diferentes campos ideológicos da direita à esquerda tentam construir o maior arco de alianças possível. A lógica é objetiva: em uma eleição marcada por margens estreitas e forte disputa pelo eleitorado, cada apoio pode contribuir para ampliar a estrutura política, territorial e eleitoral das campanhas.

O cenário, porém, revela uma questão que não pode ser ignorada. As alianças ainda não apresentam, de maneira geral, a mesma densidade política observada em eleições anteriores, especialmente em 2018 e 2022, quando diferentes lideranças e segmentos tiveram participação relevante na formação das campanhas majoritárias.

Por isso, os candidatos que aparecem em posição competitiva nas pesquisas precisam tratar o processo de composição política com cautela. Não basta estar numericamente à frente em determinado levantamento. É necessário transformar intenção de voto em estrutura eleitoral, presença nos municípios e capacidade efetiva de mobilização.

O risco, nesse contexto, é a campanha acreditar que uma vantagem momentânea nas pesquisas seja suficiente para garantir a vitória. Eleições majoritárias não são decididas apenas por fotografias de momento. A capacidade de ampliar alianças, consolidar bases regionais e reduzir a rejeição também pode ser determinante na reta final.

A matemática eleitoral, portanto, tornou-se parte central da estratégia. Quanto mais próxima estiver a possibilidade de segundo turno, maior será a pressão para que os candidatos ocupem espaços políticos e atraiam lideranças capazes de ampliar suas respectivas bases.

A imagem das “canoas” resume o momento: nenhuma campanha pode considerar que já esteja suficientemente carregada de aliados. Ao contrário, há uma corrida para aumentar o número de remadores antes que a disputa entre na fase decisiva.

O problema é que, se as articulações não avançarem e as campanhas não conseguirem incorporar novos grupos políticos e eleitorais, alguns candidatos poderão chegar à reta final com estruturas menores do que o necessário para enfrentar uma disputa acirrada.

Em uma eleição majoritária, remar sozinho é uma estratégia de alto risco. E, caso o eleitorado leve a disputa ao segundo turno, a capacidade de construir novas alianças poderá ser tão importante quanto o desempenho obtido na primeira etapa.

No limite, o cálculo é simples: quem conseguir reunir mais forças terá maior capacidade de atravessar a turbulência eleitoral. Quem não conseguir ampliar sua base poderá descobrir, tarde demais, que estar na frente nas pesquisas não significa necessariamente chegar primeiro ao destino.

A eleição, afinal, ainda está em movimento. E, até 4 de outubro, muita água ainda poderá passar por baixo das pontes políticas de Mato Grosso.

 

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