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Taques pede prisão de Mauro Mendes à PGR e aponta suposta obstrução no caso dos R$ 308 milhões da Oi

TAQUES APERTA CERCO

24/08/2026 - 12:03 | Atualizada em 24/08/2026 - 17:59

Cícero Henrique

Taques pede prisão de Mauro Mendes à PGR e aponta suposta obstrução no caso dos R$ 308 milhões da Oi

Foto: Reprodução

O caso dos R$ 308 milhões pagos pelo Governo de Mato Grosso em acordo relacionado à Oi ganhou um novo e explosivo capítulo. O ex-governador e ex-procurador da República Pedro Taques protocolou um aditamento de representação criminal na Procuradoria-Geral da República (PGR) no qual sugere a adoção de medidas cautelares contra o ex-governador Mauro Mendes (União Brasil), incluindo pedido de prisão preventiva, sob alegações de possível obstrução da Justiça e destruição de provas.

As acusações são graves e, neste momento, fazem parte de uma representação que ainda será analisada pelas autoridades. O documento atribuído à defesa de Taques sustenta que teria ocorrido uma sequência coordenada de alterações societárias envolvendo empresas ligadas ao núcleo familiar de Mauro Mendes.

Segundo a representação, Luiz Antônio Taveira Mendes, filho do ex-governador, teria realizado mudanças na estrutura societária de empresas à medida que avançavam as denúncias e investigações relacionadas ao caso Oi. A tese apresentada pelos advogados é que essas movimentações poderiam dificultar o rastreamento da origem e do destino dos recursos.

O documento menciona 21 alterações societárias entre 2023 e 2026, envolvendo constituições, entradas, saídas e baixas de CNPJs atribuídas a Luiz Antônio, familiares e fundos relacionados.

Para os representantes de Taques, o conjunto das operações não deveria ser tratado simplesmente como rotina empresarial. A representação sustenta que as mudanças teriam ocorrido em períodos próximos a avanços de investigações jornalísticas ou judiciais e poderiam representar uma tentativa de dificultar o chamado follow the money, expressão usada para rastrear o caminho do dinheiro.

Entre os episódios citados está a saída de Luiz Antônio da Sollo Hub Ltda., em 13 de janeiro de 2026, período em que, segundo a representação, as apurações sobre o caso ganhavam força.

Outro episódio apontado ocorreu em 13 de abril de 2026, quando Luiz Antônio teria deixado simultaneamente três empresas do setor de entretenimento: Garden, Let’s Meats e Azuri.

A pergunta que continua no centro do escândalo

O ponto central da representação continua sendo o destino dos R$ 308 milhões pagos pelo Estado de Mato Grosso no acordo envolvendo a Oi.

O valor já foi objeto de denúncias, ações judiciais e questionamentos públicos. Reportagens anteriores também apontaram a passagem de recursos por fundos de investimento e possíveis conexões com empresas ligadas ao entorno familiar do ex-governador.

A representação de Taques agora tenta avançar sobre esse caminho financeiro, apontando uma suposta sequência de movimentações societárias que, na avaliação de seus advogados, precisa ser investigada pelas autoridades.

Um dos pontos citados é a atuação dos fundos 5M Capital e Green Lake em empresas como H2M e VS Energia. A petição sustenta que essas movimentações teriam ocorrido em períodos coincidentes com a liberação das parcelas relacionadas ao acordo da Oi.

O documento também aponta a Brasbio Brasil Bioenergia S.A., no Piauí, e afirma que o capital social da empresa teria passado de R$ 300 mil para R$ 82,5 milhões durante o período analisado.

São informações apresentadas pela representação e que precisam ser verificadas pelas autoridades responsáveis pela investigação.

Operação Heritage aumenta pressão

A situação ganhou ainda mais peso político e jurídico após a deflagração da Operação Heritage, da Polícia Federal, que passou a investigar suspeitas relacionadas ao acordo de R$ 308 milhões e outras possíveis irregularidades.

Mauro Mendes nega as acusações e afirma que o caso seria uma tentativa de exploração política e eleitoral. Em agosto, o ex-governador classificou a Operação Heritage como uma “armação eleitoral” e contestou a versão apresentada por seus adversários.

O ex-governador também já declarou à Justiça que não participou do chamado “acordão” com a Oi, embora o caso continue sendo alvo de questionamentos judiciais.

Agora, a representação de Taques coloca a PGR diante de uma questão ainda mais delicada: saber se as alterações societárias apontadas representam simples decisões empresariais ou se, como sustenta a defesa, tiveram alguma relação com o avanço das investigações.

PGR terá de decidir o próximo passo

O pedido apresentado por Taques não significa que Mauro Mendes tenha sido condenado ou que a prisão tenha sido determinada. Cabe à PGR analisar os argumentos, documentos e elementos apresentados e decidir se existem fundamentos para novas medidas investigativas ou cautelares.

O que está em jogo é a necessidade de esclarecer, sem blindagens políticas, qual foi o caminho percorrido pelos R$ 308 milhões pagos pelo Estado e se houve alguma tentativa de dificultar o rastreamento desses recursos.

O caso, que já colocou sob pressão o governo de Mauro Mendes e provocou uma batalha pública entre os dois ex-governadores, agora chega a uma etapa ainda mais sensível. A representação pede que as autoridades não olhem apenas para o dinheiro que saiu dos cofres públicos, mas também para as movimentações empresariais ocorridas depois.

E é justamente aí que está a bomba política do caso: se as alterações societárias tiverem sido usadas para esconder patrimônio, apagar vínculos ou dificultar o trabalho dos investigadores, a crise poderá atingir um novo patamar.

Por enquanto, são alegações apresentadas por Pedro Taques e sua equipe jurídica. A confirmação ou não dessas acusações dependerá das investigações e das decisões das autoridades competentes.

 

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