21/08/2026 - 09:08 | Atualizada em 21/08/2026 - 18:05
Cícero Henrique
Os casos envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e Flávio Bolsonaro, no episódio do filme Dark Horse, expõem uma questão que não pode ser tratada com dois pesos e duas medidas: quando há dinheiro, influência política e suspeitas sob investigação, explicações convincentes precisam vir acompanhadas de provas. No caso de Flávio Bolsonaro, o senador afirmou nesta quinta-feira (20) que os recursos de Dark Horse já estavam explicados e que, para ele, o assunto era “página virada”. Horas depois, porém, o próprio perito responsável pelo laudo utilizado para sustentar essa versão reconheceu limitações importantes no trabalho.
Anísio Costa Castelo Branco admitiu que a perícia não avaliou se os valores pagos pela produção eram compatíveis com os preços praticados no mercado cinematográfico e também não acompanhou o destino dos recursos depois que o dinheiro chegou às empresas contratadas. Ou seja, o laudo consegue identificar pagamentos realizados pela produção, mas não esclarece o que ocorreu posteriormente com os valores. Isso deixa justamente uma das questões centrais do caso em aberto e torna precipitada qualquer tentativa de apresentar o episódio como definitivamente encerrado.
No caso de Lulinha, o parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) que defende a retirada da investigação do Supremo Tribunal Federal trouxe outro elemento relevante: segundo a Procuradoria, a Polícia Federal não encontrou a concretização de negócio entre o grupo investigado e o poder público. A manifestação representa uma vitória parcial para a defesa de Lulinha e enfraquece um dos pontos que sustentavam a investigação — a suspeita de que sua proximidade com o presidente Lula teria sido utilizada para viabilizar negócios junto ao governo federal. Isso, porém, não transforma automaticamente uma manifestação da PGR em declaração definitiva de inocência.
O ponto central é simples: Lulinha e Flávio Bolsonaro precisam ter o mesmo tratamento diante das suspeitas que os envolvem. Não cabe transformar uma investigação em condenação antecipada, mas também não cabe encerrar politicamente um caso apenas porque um dos investigados afirma que o assunto está superado. Se existem dúvidas sobre negócios, dinheiro, contratos ou influência política, elas precisam ser esclarecidas com documentos, perícias completas e investigação rigorosa. A régua deve ser a mesma para todos: quem é inocente deve provar sua inocência pelos meios legais, e quem acusa também precisa apresentar provas. Até lá, nenhum dos dois casos deveria ser tratado como definitivamente encerrado.
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