“Vai faltar cadeia”: Jayme Campos prevê novas operações da PF e diz que esquema em MT é “mais feio do que se pensa”
19/08/2026 - 12:06 | Atualizada em 20/08/2026 - 12:22
Cícero Henrique
Foto: Reprodução
O senador Jayme Campos (União-MT) fez duras críticas, nesta quarta-feira (19), durante visita à Assembleia Legislativa de Mato Grosso, ao grupo que, segundo ele, teria comandado e ainda comandaria o Estado. Sem citar nomes, o parlamentar classificou o grupo investigado como uma “quadrilha” e defendeu que a Polícia Federal avance até o fim nas investigações.
“PCC, CV, Irmãos do Norte, é fichinha perto do que está acontecendo aqui”, afirmou o senador, ao comentar as suspeitas que vêm sendo apuradas em Mato Grosso.
Jayme Campos também afirmou que circulam informações sobre a possibilidade de novas operações da Polícia Federal no Estado. Segundo ele, os próximos desdobramentos podem ser ainda maiores.
“Pelas informações que eu tenho, eles dizem que estamos antecipando. Eu vejo boatos correndo na praça, que não é uma não, né, amigo? Me parece que vêm duas ou três. O trem é mais feio do que se pensa”, declarou.
Em tom de alerta, o senador afirmou ainda que, caso revele tudo o que sabe, as investigações poderiam atingir um número expressivo de pessoas.
“Se eu for abrir o bico aqui, desculpe a expressão das palavras, se eu for falar tudo o que eu sei, acabou o Mato Grosso. Não sobra cadeia para tanta gente, vai ter que ir buscar novos presídios”, disse.
Jayme chegou a citar o uso de estruturas provisórias para detenção e afirmou que uma situação semelhante poderia ocorrer em Mato Grosso. “Aquele de lata, não tem? No Espírito Santo estão usando um container para prender gente. É o que vai acontecer aqui em Mato Grosso”, declarou.
ASSISTA
Racha político
As declarações ocorrem em meio ao rompimento político de Jayme Campos com a cúpula do União Brasil em Mato Grosso, liderada pelo ex-governador Mauro Mendes. O senador foi preterido nas articulações do partido para uma aliança com Pivetta e, desde então, passou a declarar apoio à candidatura de Wellington Fagundes (PL).
O grupo ligado ao ex-governador Mauro Mendes foi alvo da Operação Heritage, que investiga a destinação de R$ 308 milhões referentes a um crédito tributário da operadora Oi S.A. O valor, segundo as investigações, teria sido pago mesmo após a prescrição e posteriormente circulado por uma cadeia de fundos até chegar a estruturas controladas por familiares de Mauro Mendes e do deputado federal Fábio Garcia.
As acusações e suspeitas mencionadas no texto são objeto de investigação e não equivalem, por si só, a condenações ou comprovação definitiva de responsabilidade criminal.