14/08/2026 - 16:21 | Atualizada em 17/08/2026 - 13:29
Cícero Henrique
O Ministério Público Federal (MPF) afirma que o ex-governador de Mato Grosso Mauro Mendes (União Brasil) e o filho dele, Luis Antonio Taveira Mendes, teriam ligação com um esquema envolvendo a utilização e aquisição irregular de mercúrio na Mineração Aricá Ltda. A denúncia apresentada pelo órgão aponta que a atividade mineradora mantinha uma produção estimada em aproximadamente 54 quilos de ouro por mês.
Segundo o MPF, a investigação da Operação Hermes identificou o uso de mercúrio durante o processo de extração do ouro, sem que a substância tivesse sido comprada pelos canais legais de controle do Ibama. A suspeita dos investigadores é de que o produto utilizado pela mineradora tenha sido obtido de forma clandestina, com fornecimento atribuído ao chamado “Grupo Veggi”.
A denúncia também aponta que Mauro Mendes teria mantido uma participação indireta na mineradora por meio da Maney Participações Ltda., empresa da qual é sócio desde 2017. Conforme os elementos apresentados pelo MPF, a companhia chegou a deter 40% das cotas da Mineração Aricá até 2020. Depoimentos reunidos durante a investigação ainda indicariam que Luis Antonio atuava na gestão da operação e que Mauro Mendes frequentava o local.
Mercúrio teria sido declarado como outro produto
O MPF afirma que a suposta comercialização clandestina do mercúrio era acompanhada de mecanismos para dificultar sua identificação. Conversas interceptadas pela Polícia Federal indicariam que o produto era registrado nas notas fiscais como “bolas de ferro” ou “sucata de mola”, numa tentativa de ocultar a verdadeira mercadoria transportada.
Ainda segundo a denúncia, diálogos entre integrantes do grupo investigado fazem referência ao material que teria como destino o “garimpo do Mauro Mendes”. Uma das conversas citadas pelos investigadores também relaciona a negociação ao ex-governador por meio da proximidade entre os envolvidos.
As investigações apontam que a Aricá Mineração e a KIN Mineração teriam adquirido, entre 2022 e 2023, pelo menos 314 quilos de mercúrio sem a devida autorização ambiental. O volume faz parte dos elementos utilizados pelo MPF para sustentar as suspeitas apresentadas na denúncia.
MPF pede reparação de R$ 1,5 bilhão
Diante dos possíveis impactos ambientais e à saúde pública relacionados ao uso irregular de mercúrio, o Ministério Público Federal pediu uma reparação mínima de R$ 1,5 bilhão aos envolvidos. O valor é apresentado como compensação pelos danos socioambientais apontados na investigação.
A 1ª Vara Federal de Campinas decidiu encaminhar o caso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), considerando a questão relacionada ao foro por prerrogativa de função de Mauro Mendes em razão do período em que exerceu o cargo de governador. Além do ex-governador e de seu filho, a Mineração Aricá também aparece entre os principais alvos do procedimento.
As informações apresentadas neste texto correspondem às acusações e aos elementos descritos pelo MPF na denúncia. A existência de uma denúncia ou de indícios investigativos não significa condenação, cabendo à Justiça analisar as acusações e as provas apresentadas no processo.
Assessoria de Mauro Mendes mandou a seguinte nota:
Sobre as noticias relativas à Operação Hermes.
Beira o absurdo supor que há indício de cometimento de crime pelo fato de alguém ter dito que visitei uma empresa, que na época tinha uma participação minoritária de uma empresa ligada à nossa família. Visitar uma empresa seria crime?
Confio na justiça e espero que não seja mais uma armação política.
Agora, é muito estranho três anos após o início da Operação virem com essa história, a 45 dias das eleições.
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