11/08/2026 - 13:05
Cícero Henrique
Antes mesmo de a campanha eleitoral ganhar as ruas, a Operação Heritage já provocou um terremoto político no grupo que comandou Mato Grosso nos últimos anos. A investigação da Polícia Federal colocou no centro das atenções o ex-governador Mauro Mendes (União Brasil) e o deputado federal Fábio Garcia (União Brasil), ambos alvos de medidas determinadas pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito da apuração sobre um suposto esquema envolvendo mais de R$ 308 milhões.
Nos bastidores da política mato-grossense, o impacto da operação atingiu em cheio o projeto eleitoral do governador Otaviano Pivetta (Republicanos). A permanência de Fábio Garcia como indicado a vice passou a ser questionada por aliados e lideranças que avaliam o desgaste provocado pela investigação. O que antes era tratado como uma composição natural entre Republicanos e União Brasil agora enfrenta forte resistência diante da repercussão da operação e das medidas cautelares impostas aos investigados.
O clima entre Mauro Mendes e Otaviano Pivetta também teria azedado após a deflagração da Operação Heritage. Nos corredores do poder, cresce a avaliação de que manter Fábio Garcia na vaga de vice pode transformar a chapa governista em alvo permanente dos adversários durante a campanha. A leitura de parte da classe política é que, em vez de agregar votos, Garcia passou a carregar um peso político que ameaça contaminar o discurso de renovação e continuidade defendido por Pivetta. Trata-se de uma percepção política dos bastidores, não de conclusão judicial sobre os fatos investigados.
Enquanto a investigação avança, a pressão sobre Pivetta aumenta. A dúvida que ronda o Palácio Paiaguás é simples: vale a pena insistir em uma candidatura a vice cercada por questionamentos e desgaste público? Para muitos observadores da cena política estadual, Fábio Garcia deixou de ser um ativo eleitoral e passou a ser visto como um "peso morto" para uma chapa que precisará enfrentar uma disputa cada vez mais acirrada em 2026. A defesa dos investigados nega irregularidades e afirma confiar no esclarecimento dos fatos pelas autoridades.
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