10/08/2026 - 15:27 | Atualizada em 11/08/2026 - 12:25
Cícero Henrique
A internação da mãe do prefeito Abilio Brunini (PL) em uma UTI em pouco mais de uma hora abriu uma ferida que a Prefeitura de Cuiabá terá dificuldade para fechar. Enquanto familiares comemoravam a rápida transferência da mãe do chefe do Executivo, dezenas de outras famílias continuavam vivendo a angústia de esperar por uma vaga na rede pública, muitas vezes sem qualquer previsão. O contraste entre os dois cenários transformou um caso médico em um problema político.
A indignação aumentou após relatos divulgados pelo PNB Online mostrarem que pacientes em estado grave permaneciam aguardando transferência, mesmo diante de riscos concretos de agravamento do quadro clínico. Não há comprovação de interferência do prefeito no processo de regulação, mas a diferença entre a rapidez de um atendimento e a demora enfrentada por outros pacientes alimentou questionamentos inevitáveis. Quando a saúde pública falha para tantos e funciona em tempo recorde para poucos, a confiança da população entra em colapso.
O episódio coloca Abilio diante de uma cobrança que vai além das explicações oficiais. Cuiabanos querem saber por que a fila anda tão devagar para a maioria e tão rápido em situações que envolvem pessoas ligadas ao poder. Em uma cidade marcada por reclamações sobre a saúde pública, a internação relâmpago da mãe do prefeito acabou se transformando em símbolo de uma desigualdade que revolta quem depende exclusivamente do SUS para sobreviver.
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