07/08/2026 - 14:14 | Atualizada em 07/08/2026 - 14:27
Cícero Henrique
Um levantamento publicado pela revista Fórum aponta que cinco deputados federais ligados à base bolsonarista destinaram, juntos, pelo menos R$ 1,37 milhão da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP) a três empresas ligadas a um mesmo grupo de empresários do setor de comunicação. Segundo a reportagem, os recursos foram pagos por meio dos gabinetes dos deputados Giovani Cherini (PL-RS), Carlos Jordy (PL-RJ), Albuquerque (Republicanos-RR), Delegado Caveira (PL-PA) e Dr. Flávio (PL-RJ).
De acordo com os dados analisados pela Fórum, o maior volume de pagamentos partiu do gabinete de Giovani Cherini, que teria destinado R$ 600.150 às empresas investigadas. Em seguida aparecem Carlos Jordy, com R$ 331,9 mil; Albuquerque, com R$ 320 mil; Delegado Caveira, com R$ 69,2 mil; e Dr. Flávio, com R$ 52 mil. O levantamento identifica como figuras centrais do núcleo empresarial Alexandre Bueno Camargo e Bruno Lara Martins, vinculados ao Instituto Mais Cidades, à AB Comunicação Digital e à Agência Viralis.
Um dos pontos destacados pela reportagem envolve Bruno Lara Martins, que ocupava cargo de secretário parlamentar no gabinete de Giovani Cherini até 4 de janeiro de 2023. Apenas sete dias após sua exoneração, o Instituto Mais Cidades, do qual Bruno era sócio-administrador, emitiu uma nota fiscal de R$ 6 mil para o mesmo gabinete. A Fórum ressalta que normas internas da Câmara dos Deputados estabelecem restrições para o ressarcimento de despesas envolvendo empresas ligadas a ex-servidores que tenham deixado a Casa há menos de seis meses.
Outro fato apontado pela publicação diz respeito à AB Comunicação Digital. Conforme a reportagem, a empresa foi formalmente aberta em 27 de maio de 2024 e teria emitido sua primeira nota fiscal relacionada à cota parlamentar apenas dois dias depois. O primeiro pagamento identificado foi realizado pelo gabinete de Dr. Flávio. Posteriormente, a empresa também passou a figurar entre os fornecedores do gabinete de Carlos Jordy, recebendo recursos destinados à divulgação e produção de conteúdo para redes sociais.
A investigação jornalística também aponta situações em que empresas ligadas ao mesmo grupo empresarial teriam emitido cobranças simultâneas. No gabinete do deputado Delegado Caveira, por exemplo, duas empresas relacionadas ao núcleo investigado emitiram notas fiscais na mesma data, em 28 de abril de 2026, totalizando R$ 19,4 mil em despesas custeadas com recursos da CEAP.
Outro aspecto citado pela Fórum envolve Alexandre Bueno Camargo e sua relação com o deputado Carlos Jordy. A reportagem afirma ter identificado R$ 331,9 mil em pagamentos destinados por Jordy a empresas vinculadas ao empresário. Além disso, Alexandre aparece em um relatório oficial de uma diligência da Comissão de Direitos Humanos do Senado, realizada em junho de 2025 no arquipélago do Marajó, como assessor do parlamentar. Entretanto, segundo a publicação, o nome dele não consta na relação pública de servidores do gabinete de Jordy naquele período.
A revista Fórum informou ter encaminhado questionamentos formais aos cinco parlamentares citados, solicitando esclarecimentos sobre os contratos, critérios de contratação, documentação dos serviços executados e possíveis vínculos entre os empresários e os gabinetes. Até o fechamento da reportagem, segundo a publicação, nenhum dos parlamentares havia enviado resposta aos questionamentos.
O caso ganha relevância porque ocorre em um momento em que despesas relacionadas ao gabinete de Carlos Jordy já são alvo de apuração em outra investigação mencionada pela própria Fórum. O novo levantamento reúne documentos, notas fiscais e registros oficiais que, segundo a revista, indicam a existência de uma rede de empresas conectadas que recebeu mais de R$ 1,37 milhão em recursos públicos destinados ao custeio da atividade parlamentar.
Fonte: Revista Fórum.
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