06/08/2026 - 08:15 | Atualizada em 06/08/2026 - 15:56
Cícero Henrique
A sucessão estadual em Mato Grosso tem exposto uma das principais contradições do grupo político liderado pelo ex-governador Mauro Mendes (União Brasil). Embora tenha construído sua trajetória estadual contando com o apoio de lideranças tradicionais e importantes alianças políticas, Mendes chega ao atual processo eleitoral cercado por antigos aliados que se afastaram ao longo dos anos. Entre os casos mais emblemáticos está o rompimento político com a família Campos, grupo que teve papel relevante na construção da aliança que contribuiu para sua chegada ao Palácio Paiaguás em 2018.
Nos bastidores da política mato-grossense, o afastamento entre Mauro Mendes e os Campos é frequentemente citado como exemplo das dificuldades do ex-governador em manter alianças duradouras. Lideranças que estiveram ao seu lado em momentos decisivos acabaram seguindo caminhos diferentes, alimentando críticas sobre a forma como as relações políticas foram conduzidas ao longo de seus dois mandatos. O desgaste também atingiu setores da Assembleia Legislativa, onde deputados estaduais passaram a demonstrar insatisfação com decisões e articulações promovidas pelo núcleo do governo.
O reflexo desse cenário pode ser observado na própria sucessão estadual. Mesmo ocupando o cargo de governador, Otaviano Pivetta (Republicanos) ainda enfrenta questionamentos sobre o espaço que possui para conduzir seu próprio projeto político. A influência mantida por Mauro Mendes nas principais decisões do grupo governista faz com que adversários e analistas políticos debatam até que ponto o atual governador consegue exercer protagonismo sem a participação direta de seu antecessor.
A permanência dessa influência ocorre justamente em um momento em que parte das antigas alianças construídas por Mauro Mendes já não existe mais. O rompimento com a família Campos tornou-se um dos símbolos mais citados desse processo de desgaste político. Para críticos do ex-governador, o episódio evidencia a dificuldade de preservar apoios históricos e consolidar um grupo político amplo e estável. Já para aliados, trata-se apenas de divergências naturais do ambiente político. De qualquer forma, o fato é que as rupturas acumuladas ao longo dos últimos anos continuam repercutindo na disputa pelo poder em Mato Grosso e ajudam a explicar as tensões que cercam a sucessão estadual.
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