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VERGONHA NACIONAL: Mato Grosso leva 17 anos e ainda fracassa em concluir o 1º trecho do BRT de Cuiabá

MAIOR FRACASSO DA MOBILIDADE EM MATO GROSSO

27/07/2026 - 14:56 | Atualizada em 28/07/2026 - 11:48

Cícero Henrique

VERGONHA NACIONAL: Mato Grosso leva 17 anos e ainda fracassa em concluir o 1º trecho do BRT de Cuiabá

Foto: Francinei Marans

O que deveria representar um marco da mobilidade urbana em Mato Grosso acabou se transformando em um dos maiores símbolos de atraso administrativo da história recente do Estado. Passados cerca de 17 anos desde o início do projeto do antigo Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), posteriormente substituído pelo Bus Rapid Transit (BRT), a população de Cuiabá e Várzea Grande continua convivendo com obras inacabadas, transtornos diários no trânsito e um sistema de transporte coletivo que permanece distante das necessidades da população.

Ao longo desse período, o empreendimento foi marcado por sucessivas denúncias de corrupção, apontamentos de sobrepreço, questionamentos sobre contratos considerados suspeitos de supervalorização de valores e investigações envolvendo a execução do projeto. Enquanto governos se alternaram no comando do Estado, o cidadão permaneceu refém de promessas, mudanças de planejamento e prazos sucessivamente adiados.

O contraste com experiências internacionais evidencia a dimensão do problema. A cidade de Brasília foi construída em aproximadamente quatro anos, tornando-se a capital do país. Na China, sistemas de VLT foram implantados em cerca de três anos, com 21 quilômetros de transporte sobre trilhos entregues em 11 cidades. Em aproximadamente duas décadas, o país asiático construiu uma rede ferroviária de alta velocidade superior a 35 mil quilômetros, interligando regiões de norte a sul e de leste a oeste com infraestrutura moderna e eficiente.

Enquanto isso, Mato Grosso ainda enfrenta dificuldades para concluir apenas o primeiro trecho do BRT em Cuiabá. A lentidão da obra expõe um cenário que alimenta críticas sobre planejamento, gestão e capacidade de execução de grandes projetos públicos. O resultado é uma população obrigada a enfrentar congestionamentos, desvios, prejuízos ao comércio, dificuldades no transporte coletivo e impactos diretos na rotina de milhares de trabalhadores e estudantes.

Outro fato que reforça a percepção de desperdício é que os vagões adquiridos para o antigo VLT de Cuiabá foram vendidos ao Governo da Bahia e já estão em operação em Salvador. Enquanto a capital baiana colocou o sistema em funcionamento, Cuiabá permanece sem a solução de mobilidade prometida há quase duas décadas, acumulando uma sequência de decisões administrativas que ainda aguardam uma conclusão definitiva.

A demora para finalizar uma obra considerada estratégica transformou Mato Grosso em alvo de críticas nacionais. Em vez de apresentar uma solução moderna para a mobilidade urbana, sucessivos governos entregaram uma obra marcada por paralisações, revisões de projeto, disputas administrativas e incertezas. Para milhares de moradores de Cuiabá e Várzea Grande, o maior legado até agora tem sido a convivência diária com canteiros de obras, transtornos e a sensação de que um projeto essencial para a população continua distante da realidade.

 

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