27/07/2026 - 09:53 | Atualizada em 28/07/2026 - 10:44
Cícero Henrique
O atual governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta, terá uma difícil missão pela frente nos debates eleitorais: explicar aos eleitores qual foi sua responsabilidade no governo do ex-governador Mauro Mendes, do União Brasil.
A questão ganhou ainda mais peso depois que o próprio Mauro Carvalho afirmou que Pivetta foi um vice-governador ativo durante a gestão de Mauro Mendes. A declaração desmonta qualquer tentativa de apresentar Pivetta como um mero espectador dos acontecimentos ocorridos no Estado.
Se foi um vice ativo, Pivetta não pode simplesmente tentar se afastar das decisões, dos problemas e dos resultados do governo do qual fez parte. A população terá o direito de perguntar: onde estava o atual governador quando as decisões eram tomadas? Qual era sua posição diante das políticas adotadas? E, principalmente, qual foi sua responsabilidade na condução de um governo que agora precisa responder a uma série de denúncias, fracassos e problemas que marcaram sua trajetória?
A herança política de Mauro Mendes e Otaviano Pivetta não se resume a discursos e propagandas oficiais. O governo deixou uma lista de questões que precisam ser explicadas publicamente.
Entre elas estão denúncias de corrupção relacionadas ao chamado Escândalo da Oi, denúncias envolvendo o Escândalo na Saúde e o Escândalo dos Consignados. São episódios que, diante da gravidade das acusações, exigem explicações claras dos responsáveis políticos pela gestão.
Também fazem parte do histórico apontado pela população e pelos críticos do governo os problemas envolvendo o asfalto farelo na MT-170, o atraso considerado infernal nas obras do BRT e o desprezo pela continuidade da obra do VLT.
O fiasco envolvendo a obra do Portão do Inferno também se soma à lista de problemas que marcaram a gestão. Assim como o calote da RGA dos servidores estaduais, o desmonte do efetivo do sistema de Segurança Pública e o fechamento de 100 escolas.
Na área social, outro ponto que exige explicações é a falta de uma política pública ampla e efetiva de proteção às mulheres contra o feminicídio e a violência doméstica.
Diante desse cenário, Otaviano Pivetta terá uma oportunidade decisiva nos debates: explicar se foi ou não corresponsável pelas decisões tomadas durante o governo Mauro Mendes.
A tentativa de separar as duas trajetórias políticas poderá ser questionada pelos próprios eleitores. Afinal, segundo o próprio Mauro Carvalho, Pivetta foi um vice ativo. E um vice ativo, quando participa efetivamente de um governo, não pode reivindicar apenas os acertos e tentar transferir exclusivamente ao titular a responsabilidade pelos erros, fracassos e denúncias.
Mato Grosso chega ao período eleitoral carregando uma série de problemas que precisam ser discutidos com seriedade. Mauro Mendes terá de responder pelo seu governo. E Otaviano Pivetta, por sua vez, terá de explicar aos eleitores qual foi o seu papel na administração que ajudou a governar.
A população não precisa apenas de promessas. Precisa de respostas. E, diante do histórico de denúncias, fiascos e problemas apontados, os debates serão a oportunidade para que os dois políticos expliquem, sem fugir da responsabilidade, o legado deixado ao Estado de Mato Grosso.
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