24/07/2026 - 12:45
Cícero Henrique
Mato Grosso aparece entre os estados brasileiros com maior número de armas de fogo legalmente registradas. Dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública apontam que o Estado contabiliza 79.808 armas com registro ativo no Sistema Nacional de Armas (Sinarm), administrado pela Polícia Federal.
O número coloca Mato Grosso na quarta posição do ranking nacional, atrás apenas de Minas Gerais, com 185.619 armas; São Paulo, com 149.562; e Goiás, com 100.589. O Estado supera unidades da Federação como Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Bahia, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul.
A dimensão desse arsenal exige atenção permanente das autoridades responsáveis pelo controle e pela fiscalização. O número de armas legalizadas, por si só, não significa aumento da violência, mas amplia a responsabilidade sobre o rastreamento e a fiscalização para evitar que armamentos sejam desviados por meio de furtos, roubos, comércio clandestino ou uso irregular.
A posição de Mato Grosso no ranking nacional ganha ainda mais relevância diante das características do Estado, marcado pela forte presença do agronegócio, extensa área rural e fronteiras com outros países. Esse cenário torna o controle sobre armas e munições um desafio permanente para as forças de segurança.
CACs entram no centro do debate
Parte importante da discussão sobre a expansão do mercado legal de armas envolve os Colecionadores, Atiradores Desportivos e Caçadores (CACs). Desde 1º de julho de 2025, a Polícia Federal assumiu a responsabilidade pelo registro, controle e fiscalização da categoria, atribuição que anteriormente era exercida pelo Exército Brasileiro.
A mudança ocorreu conforme previsto no Decreto nº 11.615/2023 e transferiu para a Polícia Federal a gestão de mais de um milhão de certificados de registro em todo o país.
Em um Estado com extensa área rural e posição estratégica no Centro-Oeste, o controle sobre armas legalizadas exige mecanismos eficientes de fiscalização. O crescimento do arsenal registrado não pode ser acompanhado por falhas de rastreamento ou por brechas que permitam que armamentos legalizados acabem alimentando o mercado clandestino.
O desafio é impedir que armas legais acabem nas mãos do crime
O cenário nacional reforça a dimensão do problema. O Brasil encerrou 2025 com cerca de 1,6 milhão de armas de fogo registradas no Sistema Nacional de Armas. Mato Grosso, com 79.808 armas legalizadas, concentra uma parcela expressiva desse arsenal e ocupa posição de destaque entre os estados brasileiros.
O ponto central, portanto, não é apenas o número de armas registradas, mas a capacidade do poder público de acompanhar cada armamento, garantir fiscalização permanente e impedir desvios. Quanto maior o arsenal legal, maior também deve ser a responsabilidade do Estado para evitar que armas que deveriam estar sob controle acabem circulando ilegalmente e fortalecendo o crime organizado.
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