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Flávio Bolsonaro abandona máscara de moderado e repete roteiro que levou o pai à inelegibilidade

RADICALIZAÇÃO

22/07/2026 - 17:53

Cícero Henrique

Flávio Bolsonaro abandona máscara de moderado e repete roteiro que levou o pai à inelegibilidade

Foto: Reprodução

O recente ataque de Flávio Bolsonaro (PL) às urnas eletrônicas e ao sistema eleitoral brasileiro já é acompanhado com cautela por setores jurídicos ligados à campanha do presidente Lula. Segundo Marco Aurélio Carvalho, coordenador jurídico da campanha de Lula em São Paulo e do Grupo Prerro, duas hipóteses estão sendo observadas e medidas jurídicas estão sendo avaliadas. O advogado, porém, esclareceu que não há possibilidade de pedir a cassação da candidatura neste momento, já que a chapa de Flávio Bolsonaro sequer foi oficialmente registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — enquanto o senador ainda enfrenta dificuldades para encontrar um vice.

Para Marco Aurélio, há, contudo, um aspecto positivo no episódio: Flávio Bolsonaro teria abandonado definitivamente a fantasia de moderado que tentou vender no início da pré-campanha. A radicalização, segundo o advogado, vem sendo acompanhada com cautela, enquanto a orientação é fazer uma defesa contundente da democracia e do processo eleitoral, novamente transformados em alvo da ultradireita. O problema é que Flávio não apenas repete o discurso do pai: ele parece repetir também a estratégia política que levou Jair Bolsonaro à inelegibilidade.

Diante de representantes diplomáticos de 42 países, Flávio Bolsonaro disseminou informações falsas ao tentar associar as urnas eletrônicas brasileiras à empresa venezuelana Smartmatic. Para sustentar a narrativa, evocou documentos da CIA sobre suspeitas envolvendo o processo eleitoral da Venezuela e, a partir dessa conexão sem respaldo, pediu que países enviassem a maior quantidade possível de observadores para as eleições de outubro. A contradição é evidente: o senador afirma que não está questionando o sistema eleitoral brasileiro, mas utiliza uma premissa falsa para lançar suspeitas sobre a origem das urnas e defender uma suposta necessidade de fiscalização estrangeira.

O Tribunal Superior Eleitoral já desmentiu reiteradamente a ligação entre a Smartmatic e as urnas eletrônicas brasileiras. A empresa teve contratos com a Justiça Eleitoral para serviços de conexão de dados e voz e treinamento de profissionais de suporte técnico, mas não fabricou, programou ou operou os equipamentos de votação. O próprio TSE afirma que o sistema eletrônico brasileiro foi concebido e é gerido pela Justiça Eleitoral, utiliza meios próprios e criptografados de comunicação e transmissão de dados e não tem contato com redes públicas, como a internet.

O roteiro, portanto, é conhecido. Em 2022, Jair Bolsonaro reuniu embaixadores e questionou a segurança das urnas eletrônicas sem apresentar provas, episódio que foi considerado pelo TSE abuso de poder político e resultou em sua declaração de inelegibilidade. Agora, Flávio Bolsonaro escolhe um fórum diplomático, recupera uma narrativa já desmentida e tenta internacionalizar dúvidas sobre o processo eleitoral brasileiro. A diferença é que, desta vez, o filho “01” fez questão de mencionar o destino político do próprio pai antes de caminhar pelo mesmo terreno. O discurso de moderação parece ter ficado definitivamente para trás.

 

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