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Doações sob suspeita e abrigo em crise: investigação do MP expõe gastos pessoais ligados ao Instituto Guarda Animal

CINEMA E IFOOD

19/07/2026 - 12:25

Cícero Henrique

Doações sob suspeita e abrigo em crise: investigação do MP expõe gastos pessoais ligados ao Instituto Guarda Animal

Foto: Reprodução

Enquanto mais de 70 cães e gatos aguardam adoção após o anúncio do encerramento das atividades do Instituto Guarda Animal (IGA), em Campo Grande, uma investigação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul aponta que parte do dinheiro arrecadado por meio de doações para a manutenção dos animais teria sido utilizada pelos responsáveis pela ONG em despesas pessoais.

A ação civil pública, proposta pela 42ª Promotoria de Justiça, pede a dissolução da entidade e a transferência da guarda dos animais para a Prefeitura de Campo Grande. Com base em relatório do Departamento Especial de Apoio às Atividades de Execução (Daex), o Ministério Público aponta gastos considerados incompatíveis com a finalidade da instituição. Entre setembro e dezembro de 2022, foram identificados R$ 36,8 mil em despesas particulares, incluindo bares, restaurantes, cinemas, salão de beleza, cafeterias, supermercados, lojas de roupas, farmácias, Uber e mais de R$ 15 mil em pedidos de iFood em apenas quatro meses. O relatório também registra R$ 57,3 mil em gastos com transporte de animais sem relatórios ou justificativas das viagens.

Para os promotores, os gastos podem caracterizar desvio de finalidade e gestão temerária dos recursos obtidos por meio de doações da população. O MP sustenta que o estatuto da ONG não autoriza o uso do dinheiro para despesas pessoais e afirma que a falta de controle documental compromete a transparência na aplicação dos recursos. A gravidade das suspeitas aumenta diante do histórico de fiscalizações que apontaram superlotação, acúmulo de fezes e urina, presença de insetos, falta de higiene, ausência de médico-veterinário responsável e animais com doenças como leishmaniose, babesiose, ehrlichiose e sarna. Em duas ocasiões, representantes da ONG chegaram a ser presas em flagrante por suspeita de maus-tratos e crimes ambientais.

A defesa do Instituto Guarda Animal afirma que as acusações estão descontextualizadas e se referem a um período de dificuldades enfrentado pela entidade. Também sustenta que as despesas questionadas serão esclarecidas, afirma que a ONG não recebe recursos públicos e informa que atualmente abriga 73 animais, e não os 162 mencionados na ação. No fim de junho, as responsáveis anunciaram o encerramento das atividades do IGA e iniciaram uma campanha para encontrar adotantes. A audiência de conciliação entre as partes está marcada para esta quarta-feira (15), enquanto permanece o impasse sobre o destino dos animais, a gestão da entidade e a responsabilidade pelas dívidas acumuladas com clínicas veterinárias e outras despesas pendentes.

 

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