19/07/2026 - 10:41
Cícero Henrique
A investigação do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) aponta que o suposto esquema de corrupção envolvendo contratos de livros paradidáticos pode ter ultrapassado as fronteiras de Mato Grosso do Sul. Documentos e conversas obtidos no Procedimento Investigatório Criminal (PIC) indicam que a organização teria atuado ou buscado espaço em municípios da Bahia, Mato Grosso, Pará e Pernambuco, levantando suspeitas sobre a possível expansão de um modelo de negócios investigado por movimentar cerca de R$ 27,5 milhões em contratos com prefeituras sul-mato-grossenses.
A suspeita é de que a estratégia utilizada em Mato Grosso do Sul pudesse ser reproduzida em outras unidades da federação para ampliar a atuação do grupo. Entre os documentos apreendidos está a planilha “AVANTE – PLANILHA.xlsx”, localizada após a quebra do sigilo telemático de Felipe Paroschi Jafar, apontado pelo Gaeco como um dos líderes da organização. O arquivo relaciona municípios onde a editora investigada mantinha contratos ou negociações em andamento, revelando uma rede de interesses que, segundo os investigadores, alcançaria diferentes regiões do país.
Na Bahia, aparecem Barreiras, Coribe, Juazeiro, Feira de Santana, Lauro de Freitas, Salvador, São Félix do Coribe e Camaçari. No Pará, são citados Capanema, Capitão Poço e Salinópolis. A apuração também identificou referências a municípios de Mato Grosso e a uma possível negociação em âmbito estadual em Pernambuco. O conjunto de informações reforça a dimensão nacional que o caso pode assumir, caso as suspeitas sejam confirmadas ao longo das investigações.
Em Mato Grosso, Várzea Grande aparece entre os municípios envolvidos nas negociações, enquanto conversas extraídas de aplicativos de mensagens mencionam o secretário municipal de Educação de Nobres, Sílvio Fidelis, que também exerce a vice-presidência da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime). Para o Gaeco, as tratativas indicam uma possível tentativa de replicar no Estado o modelo de contratação investigado em Mato Grosso do Sul. A dimensão das conexões, segundo a apuração, coloca sob suspeita não apenas contratos isolados, mas a possível expansão organizada de uma estratégia para alcançar diferentes administrações públicas.
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