19/07/2026 - 10:18 | Atualizada em 20/07/2026 - 10:19
Cícero Henrique
Único investigado que continua foragido após a deflagração da Operação Gutenberg, o empresário Heyder Bartz é apontado pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) como um dos principais integrantes do suposto esquema de corrupção envolvendo contratos para a compra de livros paradidáticos por prefeituras de Mato Grosso do Sul. De acordo com o Procedimento Investigatório Criminal (PIC), ele faria parte do núcleo estratégico e financeiro da Editora Avante, ao lado da dentista Rossana Paroschi Jafar e do empresário Francisco Anizio dos Santos.
Segundo a investigação, o grupo teria utilizado contratos públicos para a comercialização de livros, com suspeita de pagamento de vantagens indevidas. Proprietário da Superconteúdo Digital, empresa voltada à produção editorial e ao marketing, Heyder é descrito pelos investigadores como uma figura central para o funcionamento do suposto esquema. Para o Gaeco, sua atuação teria ultrapassado a prestação formal de serviços, com participação na gestão informal da Editora Avante, orientação de integrantes da empresa e influência sobre a destinação de recursos.
As suspeitas foram reforçadas, segundo o relatório, por mensagens obtidas após a quebra do sigilo telemático dos investigados e pela análise das movimentações financeiras. Em um dos episódios citados, após a Editora Avante receber R$ 459.286 da Prefeitura de Ladário, em fevereiro de 2023, conversas em um grupo de WhatsApp mostram um contato identificado como “Heyder” orientando Rhayane Souza Fanaia, proprietária formal da editora, sobre pagamentos relacionados ao contrato. A Superconteúdo Digital também recebeu R$ 455.593,05 da Avante no período analisado e aparece entre as empresas que mais receberam transferências da editora.
O Gaeco, contudo, ressalta que a investigação não afirma que todos os valores repassados à Superconteúdo tenham origem ilícita. A suspeita, segundo os promotores, resulta do conjunto de elementos reunidos, como a proximidade entre pagamentos feitos por prefeituras e transferências posteriores, conversas internas, a influência de pessoas que não apareciam oficialmente na administração da editora e a repetição do padrão em diferentes contratos. A defesa de Heyder Bartz nega que ele tenha exercido posição de liderança ou participado das decisões sobre os contratos e afirma que o empresário atuou exclusivamente na execução técnica dos projetos, sustentando que os fatos serão esclarecidos durante o processo.
13/08/2026 - 10:25
29/07/2026 - 11:42
23/07/2026 - 18:47
19/07/2026 - 10:41
17/07/2026 - 12:31
10:35
08:56
08:35
07:39
06:40