17/07/2026 - 12:22
Cícero Henrique
O Instituto Entre Nós Tecnologias Sociais, apontado em uma representação que tramita no Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) como possível “laranja” de empresas ligadas ao ex-senador cassado Luiz Estevão, passou a movimentar quase R$ 4 milhões em recursos públicos para eventos de MMA e Airsoft em 2026. O valor chama atenção porque, antes dos repasses, a entidade tinha como foco principal o fomento ao artesanato e atividades culturais.
Os recursos, que totalizam R$ 3.999.809,88, foram liberados pela Secretaria de Turismo do Distrito Federal (Setur-DF), por meio de dois termos de fomento assinados pelo secretário Cristiano Araújo. Os documentos apontam que o dinheiro foi destinado aos projetos “Capital Strike – Guerra Infinita”, um torneio de Airsoft, e “BSB Fight 4”, evento de artes marciais. A dimensão dos repasses levanta questionamentos sobre a capacidade operacional e a experiência da entidade para administrar projetos esportivos de grande porte.
A situação se torna ainda mais controversa porque a execução dos eventos foi entregue à Metrópoles Produções, empresa ligada ao grupo comandado pelo empresário Luiz Estevão, conforme já revelado pelo portal Vero Notícias. Apesar de o cadastro oficial apontar como principal atividade a atuação em organizações associativas relacionadas à cultura e à arte, o instituto passou a administrar milhões de reais para eventos de MMA e Airsoft, em uma mudança de perfil que exige explicações e fiscalização rigorosa.
Criado em 2018, o Instituto Entre Nós Tecnologias Sociais recebeu R$ 1,47 milhão em recursos públicos entre 2021 e 2025 para sete projetos nas áreas de turismo, empreendedorismo, tecnologia, saúde e ações comunitárias, com foco em oficinas, artesanato e atividades culturais. Agora, em 2026, a entidade, que mantém sede em um imóvel simples em Planaltina e não possui histórico conhecido na produção de grandes eventos esportivos, passou a administrar quase o triplo do valor anteriormente recebido do Governo do Distrito Federal. A disparidade entre o histórico da instituição e o volume milionário dos novos repasses reforça a necessidade de transparência e de uma apuração profunda pelos órgãos de controle.
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