Audiência de convocação do secretário da Sinfra-MT
Foto: Reprodução
O deputado estadual Lúdio Cabral (PT) anunciou nesta quarta-feira (15) que vai entrar com ação na Justiça por conta dos atrasos nas obras do BRT em Cuiabá e Várzea Grande e das suspeitas de superfaturamento. O parlamentar também cobrou novamente do governo de Mato Grosso detalhes sobre o andamento e os custos da obra, que já somam mais de R$ 500 milhões em contratos.
Lúdio já havia feito representação ao Tribunal de Contas do Estado (TCE), que apura a falta de licitação e os valores do BRT. "É meu dever como deputado fiscalizar o andamento da obra e cobrar o cumprimento dos prazos. O governador Mauro Mendes precisa responder quando o BRT entra em operação para atender à população de Cuiabá e Várzea Grande. E, no caso específico das obras em andamento, responder às suspeitas fortes de superfaturamento na construção das estações. As explicações apresentadas na convocação são absolutamente frágeis e insuficientes", afirmou Lúdio, em resposta a ataques feitos pelo governador em entrevistas.
Na audiência de convocação realizada por Lúdio na segunda-feira (13), o secretário de Infraestrutura de Mato Grosso, Marcelo de Oliveira, compareceu, mas deixou a sessão no início. Apenas a equipe técnica permaneceu para responder aos deputados.
O deputado destacou o aumento do custo previsto para as estações. "Um edital para construir 77 estações previa R$ 68 milhões. Dois meses depois, o mesmo edital chegou a R$ 120 milhões. O governo alega que é por causa da espessura do vidro, do tipo de ar-condicionado, da quantidade de portas. Cada estação vai custar no mínimo R$ 1,5 milhão. Um ponto de ônibus custar R 1,5 milhão? Eles precisam responder a isso", disse.
Dos mais de R$ 500 milhões contratados pelo governo para o BRT, cerca de R$ 400 milhões foram feitos sem licitação, em três contratos com a mesma empresa: um por consórcio e outros dois por contratação direta. Lúdio também cobrou o cumprimento da promessa feita em 2020 pelo governador Mauro Mendes, de entregar o BRT até dezembro de 2022. "As obras só começaram em 2023. Já tem meio bilhão contratado só para o trecho 1. Faltam 40% da pavimentação e 99% das estações. Os terminais estão com 100% de atraso. E nós estamos no final de 2026", listou.
"O atual governo fracassou em resolver esse problema e em garantir o direito da população de Cuiabá e Várzea Grande ao transporte público. Acima de tudo está o drama da população trabalhadora. São 8 anos de fracasso do atual governo com relação ao BRT", concluiu o deputado.
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