16/07/2026 - 07:54 | Atualizada em 16/07/2026 - 15:42
Cícero Henrique
A confirmação das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros abriu uma nova frente de desgaste político para o senador Flávio Bolsonaro. O PT decidiu explorar a crise para associar o parlamentar à medida e reforçar o apelido “Tariflávio”, numa ofensiva que busca transformar a política comercial norte-americana em um problema direto para a imagem do presidenciável.
A estratégia petista parte da avaliação de que o tarifaço fortalece o discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em defesa da soberania nacional e amplia a pressão sobre o bolsonarismo. Ao explorar a proximidade política do grupo com o governo de Donald Trump, o partido pretende colocar Flávio no centro de um debate delicado: até que ponto alianças políticas internacionais podem resultar em prejuízos para os interesses econômicos do Brasil.
O cenário se torna ainda mais difícil para o senador diante da pesquisa Quaest, que apontou crescimento de sua rejeição de 52% para 57% entre abril e julho. Integrantes do governo atribuem parte desse movimento às tarifas, mas também citam episódios recentes como o caso “Dark Horse” e o conflito público envolvendo Michelle Bolsonaro. A soma das crises amplia o desgaste de um pré-candidato que tenta consolidar seu nome para a disputa presidencial.
Na tentativa de conter os danos, Flávio Bolsonaro defendeu o adiamento da aplicação das tarifas para depois das eleições brasileiras. A posição, porém, expõe o tamanho da crise política: em vez de apenas administrar os efeitos de uma medida internacional, o senador passou a enfrentar uma ofensiva para que o tarifaço seja transformado em símbolo de sua ligação com o trumpismo e em mais um obstáculo para sua candidatura.
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