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Exército relata confrontos frequentes com dissidências das Farc na fronteira entre Brasil e Colômbia

EXÉRCITO REFORÇA ALERTA

15/07/2026 - 11:13

Cícero Henrique

Exército relata confrontos frequentes com dissidências das Farc na fronteira entre Brasil e Colômbia

Foto: Reprodução

O chefe do Estado-Maior do Exército, general Francisco Humberto Montenegro Júnior, afirmou que militares da 2ª e da 16ª Brigadas de Infantaria de Selva enfrentam confrontos semanais com integrantes dos Grupos Armados Organizados Residuais (Gaor), dissidências das antigas Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) que atuam em atividades ligadas ao narcotráfico na região de fronteira entre Brasil e Colômbia. A declaração foi feita durante o seminário A Evolução da Guerra: Desafios para o Componente Terrestre, realizado no Quartel-General do Exército, e divulgada pelo Estadão.

Segundo o general, o cenário operacional na Amazônia passou por mudanças nos últimos anos. Se anteriormente a principal preocupação estava voltada para a tensão entre Venezuela e Guiana em torno da região de Essequibo, atualmente o foco do Comando Militar da Amazônia se concentra no combate a grupos armados transnacionais que utilizam a floresta e as rotas fluviais para o transporte de drogas. De acordo com Montenegro, militares brasileiros lotados em pelotões de fronteira têm registrado trocas de tiros frequentes com integrantes dos Gaor que atravessam a fronteira para escoar entorpecentes.

Os Gaor surgiram após o acordo de paz firmado entre o governo colombiano e as Farc, em 2016. Parte dos integrantes da antiga guerrilha recusou a desmobilização e permaneceu armada, passando a atuar em atividades ilícitas como tráfico de drogas, mineração ilegal, extorsão e exploração de outras economias clandestinas. Organizações como o InSight Crime e a Human Rights Watch apontam que essas dissidências ampliaram sua presença em diversas regiões da Colômbia e passaram a atuar também em áreas próximas às fronteiras internacionais.

O Exército destaca que rotas estratégicas, como a do Solimões e a chamada Rota Caipira, são utilizadas por organizações criminosas para transportar drogas produzidas em países andinos em direção aos mercados consumidores e aos portos brasileiros. Diante desse cenário, o Brasil intensificou operações na faixa de fronteira e ampliou a cooperação internacional. Em 2026, Brasil e Colômbia assinaram, por meio do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), um protocolo de intercâmbio de inteligência para reforçar o combate ao crime organizado transnacional em áreas fluviais e marítimas da Amazônia. Segundo o Exército, além das operações de patrulhamento e apreensão de drogas, a Força também avalia a aquisição de novos equipamentos, como drones, embarcações, sistemas de comunicação e sensores, para fortalecer a atuação das tropas que operam em regiões remotas da Amazônia.

 

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