14/07/2026 - 17:28 | Atualizada em 15/07/2026 - 15:56
Cícero Henrique
As novas explicações apresentadas pela Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra) sobre as obras do BRT escancararam, mais uma vez, o tamanho do atraso que marca um dos principais projetos de mobilidade urbana de Mato Grosso. Durante audiência pública na Assembleia Legislativa, o deputado estadual Wilson Santos (PSD) desmontou o novo cronograma apresentado pela pasta e afirmou que não existe qualquer perspectiva concreta para a conclusão integral do sistema entre Cuiabá e Várzea Grande. O primeiro trecho, que deveria ter sido entregue em dezembro de 2025, agora foi adiado para dezembro de 2026, enquanto a segunda etapa sequer possui licitação, contrato ou projeto executivo concluído.
As informações apresentadas pela própria Sinfra reforçaram as críticas. A Secretaria admitiu que ainda não definiu a aquisição da frota de ônibus, que a documentação para a licitação continua em elaboração e que a operação dos veículos permanece em estudo. Também confirmou que a extensão entre a Avenida Tenente-Coronel Duarte e a região do Coxipó ficará para um futuro governo. Diante desse cenário, Wilson Santos afirmou que insistir em novos cronogramas apenas aumenta a descrença da população diante de uma obra marcada por sucessivos adiamentos e promessas não cumpridas.
O parlamentar também questionou a inexistência de estruturas consideradas essenciais para o funcionamento do sistema. Segundo ele, não há projeto para o trecho da Avenida Fernando Corrêa da Costa, os terminais previstos continuam sem obras e permanecem indefinições sobre a infraestrutura necessária para alimentar eletricamente os 54 ônibus previstos para operar no corredor. Para o deputado, essas lacunas impedem qualquer previsão responsável sobre a entrega do empreendimento e demonstram que o sistema ainda está distante da fase operacional.
Ao relembrar que os investimentos em mobilidade urbana começaram a ser anunciados após Cuiabá ser escolhida como uma das sedes da Copa do Mundo de 2014, Wilson Santos classificou o BRT como mais um capítulo de uma longa sequência de promessas frustradas iniciada ainda na época do VLT. Ele comparou o caso de Mato Grosso ao da Bahia, onde os trens adquiridos do antigo projeto mato-grossense foram colocados em operação em um curto espaço de tempo. Para o parlamentar, depois de quase duas décadas de atrasos, mudanças de planejamento e sucessivos recomeços, o BRT permanece sem uma data confiável para sua conclusão integral, alimentando uma novela que parece não ter fim.
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