O secretário de Estado de Infraestrutura e Logística, Marcelo de Oliveira, abandonou nesta segunda-feira (13) a audiência pública da Assembleia Legislativa de Mato Grosso convocada para dar esclarecimentos sobre as obras do BRT. Irritado, ele fez um desabafo, criticou as obras inacabadas do VLT e deixou a sessão antes de responder aos questionamentos dos deputados.
Visivelmente nervoso, Oliveira passou a palavra para a equipe técnica e jurídica e pediu licença para sair.
"Com todo o respeito, a minha equipe vai responder. Isaac, você responde à parte técnica. A outra parte deixa para o doutor Carlos responder. E, com todo o respeito que eu tenho por vocês, eu vou pedir licença, porque eu sou muito nervoso. Tem coisa que eu quero falar e isso vai me infartar, porque eu não quero falar. Eu vou pedir, em nome da minha equipe, licença, para eu não me infartar", declarou.
Esta foi a segunda convocação do secretário. Na primeira, ele não compareceu. O objetivo da ALMT é que ele explique contratos do BRT que já somam mais de R$ 530 milhões, segundo o deputado Lúdio Cabral - PT, autor do requerimento. Há trechos do modal que ainda não foram contratados.
Um dos pontos questionados pelo parlamentar é o aumento no custo das estações. A primeira licitação previa R$ 68 milhões para estações. Após a desclassificação da empresa vencedora, uma nova contratação, feita a cerca de 75 dias depois, elevou o valor para R$ 120 milhões.
Antes de deixar a audiência, o secretário comparou o BRT com o VLT e fez críticas à gestão de recursos públicos. "
O Brasil precisa ser mudado. Não é com isso ou com aquilo outro. A gente precisa mudar emenda PIX, orçamento secreto, bandalheira. Todo dia, você abre jornal, a primeira coisa que se vê é roubalheira. O dinheiro público precisa ser respeitado. As estações, 1% executado, porque é 1% que está pago. Os terminais estão 0% terminados porque não tem um centavo pago", afirmou.
Ele ainda citou os trens do VLT, que ficaram 10 anos parados: "Se esse pessoal estivesse na Secopa, esses trens não teriam chegado aqui".
Após o discurso, Marcelo Oliveira deixou o local sem falar com a imprensa.
ASSISTA
O deputado Lúdio Cabral disse que a Comissão respeitou a saída do secretário por ele estar "nervoso e estressado". "Nós vamos dar continuidade porque é importante nós ouvirmos o posicionamento da Sinfra sobre os questionamentos que nós fizemos. Para que, a partir daí, a gente possa tomar providências, caso haja necessidade", pontuou.
Obras do BRT
As obras do BRT no trecho entre a Avenida do CPA, em Cuiabá, e o Aeroporto Internacional Marechal Rondon, em Várzea Grande, devem ser concluídas até o fim de dezembro de 2026.
O trecho do BRT entre Cuiabá e Várzea Grande terá 15 quilômetros de extensão, enquanto o corredor da Avenida Fernando Corrêa da Costa contará com aproximadamente sete quilômetros.
Isac Nascimento, secretário-adjunto de Obras da Sinfra, afirmou ainda que o projeto das 77 estações passou por uma reformulação para oferecer mais qualidade, segurança e durabilidade aos usuários. No trecho entre Cuiabá e Várzea Grande, serão utilizados 25 ônibus elétricos para atender a população.
“A execução da obra passou a ser conduzida de forma gradual, em alinhamento permanente com a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob), responsável pela gestão do trânsito na capital. As intervenções são planejadas em conjunto para definir quais trechos podem ser interditados, considerando também outras obras em andamento na cidade, como as executadas pela concessionária de abastecimento de água e esgotamento sanitário”, explicou o secretário-adjunto da Sinfra.