02/07/2026 - 18:54
Cícero Henrique
Duas frentes de investigação que envolvem o financiamento do filme Dark Horse, produção que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), avançaram nos últimos dias e ampliaram o cerco sobre a origem e o destino dos recursos destinados ao projeto. As apurações colocam novamente aliados do clã Bolsonaro no centro de suspeitas relacionadas ao uso de dinheiro e à possível utilização da estrutura pública para beneficiar interesses políticos.
No Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro André Mendonça determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresente parecer sobre a notícia-crime que questiona a destinação de recursos vinculados ao longa-metragem. A manifestação da PGR será determinante para que a Corte decida se há elementos para instaurar uma investigação formal ou arquivar o caso.
A notícia-crime foi protocolada pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), que levanta suspeitas de que parte dos recursos arrecadados para a produção possa ter sido utilizada para custear a permanência do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos. O processo chegou inicialmente ao gabinete do ministro Alexandre de Moraes, mas foi redistribuído pelo presidente do STF, Edson Fachin, para a relatoria de André Mendonça.
As suspeitas ganharam novos contornos após reportagem publicada pelo Intercept Brasil, que revelou gravações nas quais o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) solicita apoio financeiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, para viabilizar o filme. Segundo a publicação, parte dos R$ 134 milhões negociados teria sido destinada a um fundo sediado no Texas, estado norte-americano onde Eduardo Bolsonaro reside, administrado, entre outros, pelo advogado Paulo Calixto, apontado como aliado do ex-parlamentar.
Paralelamente, outra investigação avança no Supremo sob a relatoria do ministro Flávio Dino. O foco é o possível uso irregular de R$ 2 milhões em emendas parlamentares destinadas pelo deputado Mário Frias a uma organização não governamental ligada à empresária Karina Ferreira da Gama, proprietária da produtora responsável por Dark Horse.
O inquérito foi instaurado após pedido da deputada Tabata Amaral (PSB-SP) e tramita sob sigilo de nível 3. Nesta quarta-feira (1º), o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, confirmou que a investigação foi aberta na última sexta-feira (26), após autorização do STF.
Os novos desdobramentos ampliam a pressão sobre o entorno político de Jair Bolsonaro e reforçam o escrutínio das autoridades sobre a utilização de recursos privados e públicos em um projeto cinematográfico que, além de exaltar a trajetória do ex-presidente, agora passa a ser alvo de questionamentos judiciais sobre sua forma de financiamento e a possível destinação dos valores arrecadados.
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