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Violência contra crianças dispara 125% e acende alerta em todo o Brasil

SEGURANÇA PÚBLICA

02/07/2026 - 09:59 | Atualizada em 02/07/2026 - 14:21

Cícero Henrique

Violência contra crianças dispara 125% e acende alerta em todo o Brasil

Foto: Reprodução

As denúncias de violência contra crianças e adolescentes mais que dobraram no Brasil ao longo da última década, segundo dados do Ministério da Saúde analisados pela Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM). Entre 2020 e 2025, o número de notificações registradas no Sistema de Informações de Agravos de Notificação (Sinan) passou de 73.635 para 165.413, um crescimento de 125%.

O levantamento, divulgado na terça-feira (30), aponta que o Nordeste registrou a maior variação percentual no período, com aumento de 1.200% nas notificações. Em seguida aparecem as regiões Norte (809%), Centro-Oeste (508%), Sul (421%) e Sudeste (221%).

No total, o Sinan contabilizou 685.629 notificações de violência envolvendo crianças e adolescentes de 0 a 18 anos entre 2020 e 2025. As meninas representaram a maioria das vítimas, correspondendo a 62% dos casos, enquanto os meninos responderam por 38%. Em relação ao perfil racial, 49,1% das vítimas foram classificadas como pardas, 35,7% como brancas e 7,6% como negras.

A violência sexual foi o tipo de ocorrência mais frequente, concentrando 34% das notificações. Na sequência aparecem os casos de negligência e abandono, com 33,3%, e a violência física, responsável por 32,9% dos registros.

De acordo com o estudo, a maior parte das agressões ocorre no ambiente doméstico. A mãe foi identificada como autora em 34% das notificações, enquanto o pai apareceu em 26% dos casos registrados.

A análise por faixa etária mostra que os adolescentes concentraram 43% das notificações, com 294.010 registros. A primeira infância, que compreende crianças de até seis anos, respondeu por 256.601 casos (37,5%), enquanto a segunda infância, entre 7 e 12 anos, somou 135.018 notificações (20%).

Segundo o psiquiatra e presidente da SPDM, Ronaldo Laranjeira, os números evidenciam que a violência contra crianças e adolescentes permanece como um grave desafio no Brasil. Ele afirma que os impactos das agressões podem se estender por toda a vida das vítimas, afetando o desenvolvimento físico, emocional, social e educacional, e defende o fortalecimento da atuação integrada entre os setores de saúde, assistência social, educação e sistema de justiça.

O estudo também aponta que todas as regiões do país registraram crescimento nas notificações durante o período analisado. Os estados de São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro e Minas Gerais concentram, juntos, 52% de todas as ocorrências registradas entre 2020 e 2025.

Para a SPDM, os resultados reforçam a necessidade de qualificação contínua dos profissionais para a identificação precoce dos sinais de violência, do fortalecimento das redes de proteção e da ampliação das ações de prevenção voltadas às famílias e às comunidades.

 

 

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