01/07/2026 - 18:29 | Atualizada em 02/07/2026 - 09:21
Cícero Henrique
Enquanto o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), insiste em transformar divergências ideológicas em barreiras para a relação institucional com o Governo Federal, a prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), demonstra uma postura completamente diferente ao colocar os interesses da população acima das disputas políticas. A diferença de comportamento entre os dois gestores evidencia visões opostas sobre a administração pública.
Ao receber uma ambulância e o anúncio de R$ 20 milhões em investimentos federais para a Saúde de Várzea Grande, Flávia Moretti foi direta ao afirmar que não vê qualquer problema em abrir as portas para o Governo Federal quando os recursos representam benefícios concretos para a população. Segundo a prefeita, governar significa agir "para o povo e pelo povo", independentemente da origem política dos investimentos.
Os recursos anunciados pelo senador Carlos Fávaro (PSD) reforçam essa postura. Do total de R$ 20 milhões, R$ 14,8 milhões serão destinados ao custeio de procedimentos de Média e Alta Complexidade (MAC), enquanto R$ 5,1 milhões serão aplicados na Atenção Primária. Além da verba, o município recebeu uma ambulância destinada ao atendimento da população, evidenciando que a cooperação entre diferentes esferas de governo pode resultar em melhorias concretas para os serviços públicos.
Em sentido oposto, Abilio Brunini tem adotado um discurso de rejeição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmando que não dividirá palanque com o chefe do Executivo federal e mantendo uma postura de resistência em relação às ações da União. Essa posição acaba gerando críticas por priorizar o embate político em detrimento da cooperação institucional, especialmente quando municípios dependem da parceria entre os governos municipal, estadual e federal para ampliar investimentos.
A diferença também aparece na forma como as obras são apresentadas. Em Cuiabá, Abilio costuma anunciar empreendimentos financiados com recursos federais, como a construção de quase mil moradias populares na periferia da capital, sem destacar a participação da União no financiamento. Essa prática é alvo de críticas por não reconhecer a origem dos recursos públicos que viabilizam essas iniciativas.
O contraste entre os dois prefeitos do mesmo partido revela que a administração pública pode seguir caminhos distintos. Enquanto Flávia Moretti defende que o dinheiro público deve ser recebido independentemente da origem política para atender às necessidades da população, Abilio Brunini mantém uma postura marcada pelo confronto com o Governo Federal. O resultado é um debate que vai além das diferenças ideológicas e coloca em discussão qual deve ser a prioridade de um gestor público: a disputa política ou a busca por investimentos que beneficiem diretamente os cidadãos.
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