23/06/2026 - 17:41 | Atualizada em 24/06/2026 - 13:17
Cícero Henrique
A discussão sobre um novo reajuste na tarifa de água em Cuiabá reacendeu questionamentos sobre a atuação da Prefeitura e dos órgãos responsáveis pela fiscalização do contrato de concessão. Dados apresentados na Câmara Municipal nesta terça-feira (23) apontam que a Águas Cuiabá, controlada pela Iguá Saneamento S.A., registrou lucro bruto de R$ 214 milhões em 2025, acima dos R$ 192 milhões contabilizados em 2024.
Mesmo diante do aumento dos resultados financeiros da concessionária, a empresa anunciou a aplicação de um reajuste tarifário de 11,93%, respaldado por decisão da Câmara de Mediação, Conciliação e Arbitragem CIESP/FIESP. O tema gerou forte repercussão entre vereadores e consumidores, principalmente porque o lucro da concessionária não foi objeto de análise no procedimento arbitral nem pela Cuiabá Regula, agência responsável pela regulação dos serviços.
O assunto também trouxe de volta declarações anteriores do prefeito Abilio Brunini (PL). Em janeiro deste ano, após a divulgação de informações sobre um pedido de reajuste protocolado pela concessionária, o prefeito negou a existência de qualquer procedimento que pudesse resultar em aumento das tarifas e afirmou que a população poderia ficar tranquila. Meses depois, a confirmação do reajuste voltou a alimentar críticas sobre a condução do tema e a transparência das informações prestadas à sociedade.
Além da discussão tarifária, a concessionária acumula questionamentos relacionados à qualidade dos serviços prestados. Reclamações sobre recapeamentos considerados inadequados, cobranças contestadas e problemas no atendimento aos consumidores continuam gerando insatisfação. A empresa também responde a mais de 4 mil processos judiciais e é alvo de uma Ação Civil Pública proposta pelo Ministério Público, que contesta a cobrança de esgoto com base em 90% do valor da água consumida.
Durante audiência na Câmara de Cuiabá, o presidente da Cuiabá Regula, Alexandre César, afirmou que desconhecia a decisão arbitral até sua publicação e revelou que a Câmara de Arbitragem foi convidada a participar de uma Mesa Técnica no Tribunal de Contas do Estado, mas não aderiu à discussão. O episódio amplia os questionamentos sobre a fiscalização do contrato e reforça a cobrança por maior transparência em decisões que impactam diretamente o bolso da população cuiabana.
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