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Escândalo dos kits: Gestão Abilio gasta R$ 9,8 milhões e ignora material gratuito do governo federal

MILHÕES PELO RALO

10/06/2026 - 17:57 | Atualizada em 11/06/2026 - 15:48

Cícero Henrique

Escândalo dos kits: Gestão Abilio gasta R$ 9,8 milhões e ignora material gratuito do governo federal

Foto: Emanoele Daiane/Prefeitura de Cuiabá

A contratação de materiais da “Coleção Construir Sorrisos” pela Secretaria Municipal de Educação de Cuiabá levanta questionamentos difíceis de ignorar. Em um contrato firmado por inexigibilidade de licitação, a gestão do prefeito Abilio Brunini (PL) autorizou um gasto de R$ 9,8 milhões para aquisição de kits voltados à educação e higiene bucal, mesmo existindo materiais pedagógicos gratuitos disponibilizados pelo Governo Federal para aplicação nas escolas. A decisão gera dúvidas sobre a real necessidade de desembolsar recursos públicos em uma escala tão elevada.

O ponto mais controverso está na comparação dos preços. Enquanto o município, quando integrava o consórcio CISVARC, pagava R$ 11,99 por unidade, a compra atual prevê kits ao custo de R$ 200 cada. A diferença de 1.568,89% chama atenção não apenas pelo impacto financeiro, mas também pelo potencial prejuízo aos cofres públicos. Os números apresentados indicam que a diferença entre os valores representa milhões de reais que poderiam ser direcionados para outras demandas urgentes da educação municipal.

Outro aspecto que reforça as críticas é o fato de a própria Procuradoria-Geral do Município ter apontado fragilidades no processo. O parecer recomendou que a Secretaria de Educação apresentasse justificativas mais robustas para demonstrar os diferenciais da coleção escolhida e a vantajosidade da contratação. Quando até órgãos internos da administração questionam a fundamentação da compra, torna-se inevitável o aumento da desconfiança sobre a condução do procedimento.

Também pesam sobre o caso os apontamentos relacionados à utilização de códigos incompatíveis com os produtos adquiridos. Segundo as informações apresentadas, os kits de saúde bucal foram registrados sob códigos que correspondem a materiais pedagógicos de ciências, criando uma divergência entre o objeto da contratação e o registro técnico utilizado. Falhas desse tipo comprometem a transparência e dificultam a fiscalização por parte dos órgãos de controle e da própria sociedade.

Diante desse cenário, a gestão Abilio Brunini se vê pressionada a explicar por que ignorou alternativas gratuitas oferecidas pelo Governo Federal, por que optou por uma contratação significativamente mais cara do que a realizada anteriormente pelo consórcio e quais critérios efetivamente justificam um gasto de quase R$ 10 milhões. Em tempos de cobrança por eficiência e responsabilidade fiscal, a população tem o direito de exigir respostas claras e detalhadas sobre cada centavo investido com dinheiro público.

 

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