A Polícia Federal deflagrou, nesta segunda-feira (8/6), a Operação Gemini, com o objetivo de aprofundar investigações relacionadas à suposta comercialização de decisões judiciais e à prática de lavagem de dinheiro no âmbito do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
Estão sendo cumpridos 12 mandados de
busca e apreensão domiciliar, busca pessoal e medidas de afastamento dos sigilos bancário, fiscal e telemático de investigados nos estados de MT e SP.
A investigação apura a atuação de envolvidos em suposto
esquema voltado à comercialização de decisões judiciais e à ocultação de recursos de origem supostamente ilícita.
Alvos
- desembargador afastado Dirceu dos Santos
- deputado estadual Faissal Calil (PL)
- Bruno Oliveira Castro, advogado.
Os investigados poderão responder, na medida de suas participações, pelos crimes de corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro.
Prisão em flagrante
Em posse de um dos alvos da operação a polícia federal encontrou
armas de grosso calibre: um fuzil, uma pistola, um revólver, diversas munições, relógios da marca Rolex e canetas de alto valor. Embora não houvesse mandado de prisão, uma pessoa foi presa em flagrante. O nome do preso ainda não foi confirmado.
Operador
Faissal Calil trabalhou no gabinete de Dirceu entre 2017 e 2018. Foi eleito deputado estadual em 2018 e tomou posse em 2019. A investigação da Polícia Federal identificou depósitos e saques que somam R$ 3,2 milhões. A PF apurou que o deputado atuou como intermediário em operações relacionadas ao recebimento de recursos, pagamento de despesas familiares e negociações imobiliárias realizadas por meio de terceiros, com o objetivo de conferir aparência de legalidade às transações.
A Polícia Federal identificou transferências financeiras realizadas por
empresas ligadas ao agronegócio que possuíam disputas judiciais em tramitação no Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
Nota do TJMT
"Em relação à operação Gemini, deflagrada nesta segunda-feira (8), pela Polícia Federal, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) informa que nenhum mandado foi cumprido na sede do Poder Judiciário. Ressalta-se ainda que o processo tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Por fim, o TJMT continua à disposição para contribuir com as autoridades, caso seja solicitado."